Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Parafraseando a primiera lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário do debate ante os caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento na negligência do corpo social, além de escassas medidas estatais eficazes. Dessa forma, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas ao desamparo dos jovens frente a população não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, o individualismo é uma das principais características e o maior conflito da pós-modernidade. Tal realidade anda intrinsecamente ligada ao egoísmo e falta de empatia da sociedade, um panorama que afasta jovens que necessitam de apoio psicológico para enfrentar adversidades, muitas vezes relacionadas a depressão. Por conseguinte, os adolecentes objetivam, com o suicício, romper o abandono sofrido socialmente, o que acarreta na formação de um dilema coletivo com dimensões cada vez maiores, precisando, urgentemente, ser combatido.

Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” q não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele perceberia quão certeira foi sua decisão: o vigente quadro perante à negligência do Estado frente ao suicídio é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Outrossim, medidas que visam conter a problemática são escassas no território brasileiro, o que corrobora no aumento dos casos e, também, na normalização do estorvo, que promove indivíduos cada vez mais enfermos e desesperançosos defronte à existência.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Sendo assim, é necessário que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, promova a mitigação do suicídio, por intermédio de campanhas e debates televisivos, radiofônicos e escolares, ministrados por médicos e psicólogos, para discutir sobre a depressão e como ajudar indivíduos propensos a tal impasse social, a fim de romper o quadro individualista da nação. O Estado deve, também, contruir contros de apoio psicológico em áreas estratégicas das cidades. Somente assim, alcançar-se-á caminhos para prevenir o dilema, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.