Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/01/2021

Um ato extremo que sempre causou espanto – o de tirar a própria vida - surpreende ainda mais quando ocorre entre jovens. Desde meados do século XIX, sob influência do Romantismo, até a contemporaneidade, com a hegemonia da Internet, a juventude tem sido vítima desse fenômeno social. Nosso país, representado quase sempre como alegre, vê os índices de suicídio crescerem. Soluções para o problema passam pela reavaliação das relações interpessoais.

No século XIX, houve uma grande onda de suicídios de jovens na Europa, atribuída, entre outras causas, à imitação do personagem Werther, de Goethe. Nessa época, o sociólogo Émile Durkheim analisa a questão e conclui que a falta de integração do indivíduo com os grupos sociais – sejam religiosos, domésticos ou políticos – é fator preponderante para a perda do sentido da vida. Assim, o isolamento da pessoa – especialmente do jovem – torna-a alienada da realidade e, por consequência, mais vulnerável.

Desde então, observa-se um aumento desse distanciamento dos indivíduos - sobretudo jovens – em relação à família e aos grupos. Nos anos 60, em que o conflito de gerações se acentua e a família tradicional é questionada, a escritora Lygia Fagundes Telles cria o personagem André, um jovem ex-seminarista que acaba cortando os pulsos após um relacionamento confuso e frustrado. Na realidade do século XXI, tais angústias se expressam principalmente pelas redes sociais, nas quais se disseminam práticas funestas, como no desafio da “Baleia Azul”, composto por várias etapas até o suicídio, ou no caso de um jovem maranhense que transmitiu sua morte no Facebook recentemente.

Diante dessa realidade, faz-se necessário repensar as relações humanas - familiares, de amizade, de trabalho etc. – a fim de estabelecer vínculos mais significativos. Pode-se estimular nas associações de bairro e nas escolas a formação de grupos de interesse que levem à troca presencial de experiências. Dessa forma, teremos uma sociedade mais empática e disposta a lidar com as dificuldades próprias da juventude. Que o lema do “mais amor, por favor” ultrapasse as redes sociais e atinja a realidade do dia a dia.