Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Em 1994, Mike Emme - rapaz norte-americano de apenas 17 anos - tirou a própria vida e motivou o início de uma das campanhas mais relevantes para a sociedade: o Dia Mundial Da Prevenção ao Suicídio. Todavia, o combate ao problema não se mostra efetivo no Brasil, o que faz subir, a cada dia, outros “mikes”, seja pela inabilidade social em discutir acerca do suicídio, seja pela pouca importância dada aos transtornos mentais daqueles que buscam a morte voluntária.
De início, Johann Goethe - fundador do Ultrarromantismo europeu - relacionou a ideação suicida aos sentimentos do eu-lírico, em sua obra “Sofrimentos do Jovem Werther”. Para o escritor, tirar a própria vida seria o símbolo da fuga existencial: conceito reproduzido por outros autores. Ocorre que a romantização do suicídio proposta por Goethe se converteu em indiferença no imaginário da sociedade brasileira, de modo que a morte voluntária não recebe a devida importância, o que se mostra grave problema social. Nesse viés, não é razoável que os brasileiros menosprezem a ideação suicida e sejam omissos aos comportamentos que a revelem.
Sob outra análise, a omissão às doenças psiquiátricas dá lugar à busca pela morte voluntária. Sobre isso, no século XVIII, o suicídio passou a ser tratado como uma atitude derivada de distúrbios mentais, a exemplo da depressão. Nesse sentido, o médico francês Philippe Pinel foi pioneiro em propor o tratamento medicalizado daqueles que tentam subtrair sua própria vida. Entretanto, substancial parcela dos brasileiros é indiferente aos avanços da psiquiatria, promovidos no século XVIII. Essa atitude omissa representa obstáculo para que a campanha do Setembro Amarelo cumpra seus objetivos, e, enquanto o silêncio da sociedade se mantiver, o mundo será obrigado a conviver com o mal do século: o suicídio.
O problema que ceifou a vida de Mike Emme precisa, pois, receber a devida importância no Brasil. Para que isso ocorra, as escolas - no exercício do seu papel social - devem desconstruir a visão reducionista do suicídio e dar mais visibilidade aos distúrbios mentais, a exemplo da depressão. Essa iniciativa aconteceria por meio de um projeto pedagógico, que poderia se chamar “Cada vida conta”, no qual os indivíduos seriam estimulados a compartilhar suas angústias, a fim de receber o devido tratamento e, dessa forma, fortalecer a saúde mental e retomar, portanto, a vontade pela vida.