Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/04/2021

Na obra “Por Lugares Incríveis”, Finch e Violet se conhecem no alto de uma torre, ambos prestes a cometer suicídio. No decorrer da trama, torna-se perceptível que apesar de estarem passando por diversos problemas e encararem a morte como única saída, os personagens aparentavam ser adolescentes alegres e com vidas perfeitas. Embora seja fictícia, a história retrata a realidade de grande parcela dos jovens brasileiros. Nesse sentido, pode-se perceber que as ideações suicidas ocorrem por fatores que vão muito além das aparências. Assim, é lícito afirmar que o estereótipo a respeito dos transtornos psíquicos e a falta de inserção social, levam milhares de jovens ao suicídio.

Em primeiro lugar, é fundamental ressaltar que nem sempre o indivíduo com ideação suicida aparenta ser melancólico e depressivo, como estereotipado pela sociedade. Na maioria das vezes, não existe um padrão explícito quando se trata do comportamento suicida, fator que dificulta a percepção das pessoas de seu convívio. Por exemplo, na obra supracitada, Violet sofreu um trauma que desencadeou problemas emocionais que não eram facilmente perceptíveis. Isto posto, na maioria das vezes, os responsáveis não identificam que o indivíduo está passando por sofrimento emocional, ou não compreendem a importância do acompanhamento psicológico e do apoio familiar. Dessa forma, nota-se que a falta de conhecimento sobre distúrbios psicológicos, contribui para a perpetuação da alta taxa de suicídio entre os jovens.

Concomitantemente, o jovem que não se sente pertencente a um grupo social, como família, amigos, religião e escola, está mais propenso a cometer suicídio, haja vista que os seres humanos têm a necessidade de interações sociais para o desenvolvimento emocional e manutenção do bem-estar.  Em vista disso, em sua obra “O Suicídio”, Émile Durkheim classifica o suicídio em três tipos: altruísta, egoísta e anômico. De acordo com o sociólogo, o suicídio egoísta é marcado pela ausência de coesão coletiva, ou seja, desprovimento de objetivos e significados. Logo, nota-se a importância de estar inserido na sociedade e sentir-se parte dela.

Portanto, é mister que o Ministério da Saúde junto ao Ministério da Eduação promova treinamentos às equipes pedagógicas das escolas quanto à percepção de tendências suicidas dos alunos, já que os jovens passam a maior parte do tempo neste ambiente. Além disso, faz-se necessário que as escolas criem projetos que envolvam as famílias, facilitando a proximidade entre seus membros e a equipe multidisciplinar, composta pelo corpo docente e profissionais da área da saúde, de modo a ressaltar a importância de buscar apoio psicológico. Somente assim torna-se possível atenuar o sofrimento emocional e, principalmente, evitar que mais jovens brasileiros cometam suicídio.