Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/08/2021
Durante o século XIX, o movimento literário ‘Romantismo’, dentre suas temáticas, destacou-se o ‘mal do século’, a depressão seguida do suicídio. Contudo, no Brasil, infelizmente, já no século XXI, a liquidez humana, assim como a pressão exercida sobre os jovens, ressalta a problemática evidenciada há 2 séculos. Urge, portanto, a necessidade de analisar tal realidade, de modo a identificar e combater seus impactos, objetivando minimizá-los no cotidiano dos jovens brasileiros.
Em primeira análise, cabe pontuar como a liquidez humana impulsiona o suicídio. É possível afirmar isso porque vivemos em uma modernidade líquida, a qual, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, é algo fluido, inconsistente, logo, as relações interpessoais se tornam efêmeras. Sendo assim, a partir de tal fluidez, infere-se na queda das relações afetivas e sentimentais, evidenciando uma sociedade mais solitária. Portanto, como os indivíduos tendem a viver cada vez mais sozinhos, tal característica é um dos fatores para o desenvolvimento de transtornos mentais, esses que, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, são responsáveis por aproximadamente 96% dos suicídios.
De outra parte, convém destacar como a pressão exercida sobre os jovens também impulsiona o suicídio. É possível inferir isso porque muitos cidadãos colocam enormes expectativas sobre os mais jovens, como a definição precoce do futuro. Dessa forma, esta faixa etária vive imersa na incerteza e coagida de não “fracassar”, ou seja, fazendo alusão ao conceito de ’niilismo negativo’ do filósofo Nietzsche, essas pessoas negam o presente em função do paraíso, ou melhor, do futuro. Sendo assim, conseguinte de tal fato, a sociedade novamente se apresenta solitária, uma vez que a preocupação com o amanhã inibe a vivencia do hoje, limitando as relações afetivas e, consequentemente, desenvolvendo transtornos psíquicos, como a depressão e a ansiedade, os quais impulssionam o suicídio entre os jovens.
Por fim, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, fazer propagandas a fim de incentivar a procura por tratamento psicológico e demonstrar a importância das relações interpessoais. Tal atitude se eleva com o aumento dos profissionais de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS), seguido da veiculação de comerciais nas redes sociais, demonstrando a importância do tratamento psicológico e da vivência e diálogo com outras pessoas. Dessa maneira, o estigma sobre a desta procura terapia será minimizado, assim como será incentivado a retomada da convivência com outros, logo, a taxa de suicídio entre os jovens será diminuída.