Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 13/08/2021

Em meados do século XIX, durante a segunda fase do romantismo no Brasil, que ficou conhecida como “Mal do Século” devido ao caráter pessimista e deprimente que adotou, muitos jovens tiraram a própria vida como forma de evasão ao sofrimento emocional impulsionado por obras como “Poesia”, de Álvares de Azevedo. Em vista disso, nota-se um antigo problema de saúde brasileiro que é progressivamente agravado. Por isso, a fim de encontrar caminhos para prevenir o suiídio entre os jovens no Brasil, cabe analisar as causas que os levam à decisão pelo fim de suas vidas.

Em primeira análise, destaca-se a perda do sentido da vida durante a adolescência, somada à instabilidade emocional desse período. Em suma, em decorrência de avanços na área de saúde brasileira no século XX que aumentaram a expectativa de vida da população, a vida adulta passou a começar mais tardiamente, criando um espaço vago entre a infância e a maturidade emocional. Por consequência, é comum que o sentimento de falta de propósito existencial atinja os adolescentes, que, na maioria dos casos, encontram-se economicamente inativos. Dessa forma, em virtude da instabilidade emocional característica dessa fase, a tendência é que os jovens brasileiros não saibam lidar com esse sentimento e, em alguns casos, equivocadamente pensando não terem valor na sociedade, tirem a própria vida.

Ademais, é notória a falta de vínculos afetivos mais profundos na sociedade como fator agravador do problema no Brasil. Isso se dá pois, de acordo com o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida, período atual, é caracterizada pela liquidez das relações humanas, ou seja, fraqueza. Assim, essa liquidez, que simboliza a maleabilidade e inconsistência das relações, acaba por atingir até mesmo os vínculos familiares, que se tornam, não raramente, distantes e enfraquecidos. Por conseguinte, um adolescente deprimido e com ideações suicidas muitas vezes não encontra, mesmo nas pessoas mais próximas, motivos suficientes para continuar vivendo, uma vez que não acreditam que farão falta para a sociedade. Por isso, em casos extremos, suicidam-se.

Logo, faz-se imprescindível combater esses obstáculos. Por isso, é necessário que haja uma ruptura referente à dificuldade de abordagem desse tema, para que os afetados por ideações suicidas sintam-se livres para expressar o que sentem e consigam receber ajuda efetivamente, sem serem alvo de preconceito ou chacotas. Para isso, cabe a reeducação da sociedade acerca do valor que têm as relações pessoais, tão liquefeitas nos dias atuais, através de palestras e campanhas promovidas por ONGs de apoio à causa, a fim de conter o aumento no número de casos de suicídio. Desse modo, é possível que o desejo de evasão fique restrito apenas aos ultrarromancistas do século XIX.