Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/09/2021
Em âmbito nacional, muitas perspectivas paradoxais têm sido defendidas acerca dos casos de suicídio entre os jovens brasileiros e sua relação com a saúde pública. Nesse viés, enquanto o senso comum se limita a apontar responsáveis e exigir mudanças, teóricos das ciências sociais atestam a urgência de posturas coesas e socialmente mais engajadas acerca dessa realidade. De fato, segundo o Conselho Nacional da Saúde, há um nexo entre o aumento dos números de suicídios e a vulnerabilidade social que afeta mais de 30% dos brasileiros.
De início, faz-se imprescindível avaliar práticas e ideologias em torno do papel do Estado no tocante ao combate ao suicídio. Nessa direção, de acordo com a Constituição Federal, de 1988, em seu Artigo 196, a saúde é direito de todos e dever do Estado a ser garantida mediante políticas públicas equitativas. Nesse sentido, deve-se admitir a superficialidade e a pouca eficiência de iniciativas como peças publicitárias e informativas, como o “Setembro Amarelo”, que apesar de relevantes, não conseguem incitar posturas proativas no combate ao suicídio.
Além disso, diante dos altos índices de suicídio na juventude brasileira, mais do que conceber teorias, é preciso efetivar medidas concisas, enfáticas e pontuais. Nesse prisma, faz-se imperativo enfatizar que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão, uma das principais causas da autodestruição, é reconhecida como a doença do século e é mais evidente nas camadas de baixa renda que não têm acesso à assistência psicológica nem psiquiátrica. Sem dúvida, mesmo sendo um dos poucos países a dispor de um amplo sistema de atendimento público, o Brasil, ainda demonstra fragilidade nesse setor e requer aprimoramento de sua gestão.
Em suma, frente à complexidade dessa temática, torna-se decisivo instituir corresponsabilidades. Portanto, o Poder Executivo, por intermédio do direcionamento de verbas do Tesouro Nacional, deve investir no aprimoramento do sistema de saúde pública, para ampliar o acesso ao tratamento e à assistência psíquica, como forma de aprimorar a eficácia na oferta desses serviços. Ademais, os veículos da mídia, através de mediações informativas, necessitam instigar senso ético na gestão da saúde e, com isso, instituir maior engajamento com a otimização dessa realidade.