Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 10/09/2021
A série " 13 Reasons Why", da Netflix, conta a história da adolescente Hanna Baker, que, após sofrer diversos abusos morais na escola, retira a própria vida como forma de manifestar seu sofrimento interior, o que traz grandes consequências à sua comunidade. Fora da ficção, a realidade não é tão diferente, pois, no Brasil, o índice de suicídio entre jovens, lamentavelmente, tem adquirido enormes proporções. Dessa forma, urge que caminhos sejam tomados para se prevenir esse grave problema. Entre eles, destacam-se o combate ao bullying e a conscientização familiar.
Primeiramente, é importante pontuar que o assédio moral, em suas variadas formas, é um dos principais responsáveis por levar a vítima a um estado de “anomia social” - caracterizado por grande sentimento de exclusão e não-pertencimento. Nessa lógica, o jovem oprimido tende a se isolar da sociedade e, consequentemente, desenvolver sérios distúrbios de caráter psicológico, que são fatores decisivos em casos de autocídio. Isso é confirmado de acordo com dados do Estadão, os quais dizem que cerca de 90% dos padecentes que põe fim a própria vida possuem algum tipo de transtorno mental, seja depressivo ou bipolar. Nessa esteira, vê-se que o indivíduo, vítima de bullying, tende ao suicídio como forma de aliviar toda a dor e o sofrimento advindos desse tipo de assédio moral.
Além disso, segundo o sociólogo Máx Weber, pessoas próximas de alguém têm grande poder de influência sobre o comportamento e bem-estar desse indivíduo. Nessa perspectiva, a família funcionaria como um grande instrumento de coerção e de amparo desses jovens. Entretanto, isso não ocorre de maneira eficaz, uma vez que, devido à falta de conscientização e a uma mentalidade conservadora, em muitas ocasiões, os membros familiares são os primeiros a estigmatizar transtornos psicológicos graves, não dando atenção e apoio ao jovem suicida, a exemplo do ocorrido na série, em que a protagonista vive sob a indiferença e o descaso dos próprios pais. Essa negligência parental potencializa os efeitos negativos da “anomia social” e vai contra a ideia de solidariedade weberiana.
Para tanto, a fim de combater o crescente índice de suicídio entre os jovens, além de estimular a conscientização dos pais ou responsáveis sobre os modos de lidar com essa problemática, urge que o Ministério da Educação e Cultura(MEC), juntamente com as instituições de ensino, por meio dos impostos arrecadados, financie a realização de um projeto pedagógico sobre a relevância do combate a atos de assédio moral, para ser efetuado nas escolas, o qual deve integrar atividades lúdicas, debates em salas de aula, palestras, além de uma ampla divulgação midiática. Só assim será possível minimizar esses atos de violência contra si mesmo e, por conseguinte, não permitir que os adolescentes se tornem personagens desse tipo de tragédia familiar.