Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/10/2021

No anime One Piece, um dos mais conhecidos do seu gênero, a personagem Nico Robin passa a vida sendo julgada e sem assistência da sociedade, consequentemente, com uma infância cheia de traumas, perde o amor à vida e considera tirar sua própria vida como uma forma de acabar com seu sofrimento. Analogamente, nos dias de hoje, cada vez mais jovens se encaixam nesse cenário, como aponta dados da insurtech brasileira Azos, a qual indica que, entre 2014 e 2019, o número de suicídios no Brasil aumentou em 28%. Nesse sentido, a fim de abrir caminhos para prevenir o suicídio entre jovens no Brasil e mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a apatia da sociedade e a inexpressividade do poder público.

Primordialmente, é evidente que o corpo cívico exprime dificuldades relativas à compreensão da relevância de combater a prática do suicídio no país. Nesse aspecto, Émile Durkheim, sociólogo francês, defende, em sua obra “O suicídio”, que quanto maior o grau de solidariedade social, maior a probabilidade de haver menos suicídios. Seguindo esse viés, é notável que, no Brasil, a maior parcela da sociedade adota um comportamento de indiferença a cerca da temática, uma vez que temos o suicídio como um tabu. Portanto, ao passo que as instituições formadoras de opinião não concedem o suporte essencial para minimizar os índices de autocídio entre a juventude, com um enfoque solidário e empático como abordada por Durkheim, essa realidade nociva tende a ser cada vez mais cotidiana no cenário nacional.

Outrossim, a negligência estatal é um fator coadjuvante na problemática. De acordo com Platão, filósofo grego, “O importante não é viver, mas viver bem”. Todavia, o Estado, responsável pelo bem-estar da população, falha no seu propósito, em razão de, por exemplo, segundo a OMS, o suicídio é a 3° causa de mortes de jovens do nosso país entre 15 e 29 anos. Tendo em vista os dados expostos, a falta de estratégias nacionais, por parte dos governantes, para auxiliar a população a superar seus empecilhos emocionais contribui a favor do aumento do suicídio na nação verde-amarela.

Logo, é crucial intervir sobre o problema. Sendo assim, o Ministério da Educação deve, por meio de parcerias com escolas, criar um programa de assistência aos alunos relacionado ao bem-estar físico e mental, podendo, além disso, disponibilizar cartilhas que ajudem a entender os sinais de má saúde psicológica, afim de contrariar a ideia de suicídio como sinônimo de fraqueza. Ademais, o Ministério da Saúde deve, através de verbas governamentais, criar um projeto de expansão da oferta de saúde pública, junto a contratação de profissionais especializados, visando fornecer a ajuda necessária aos que possuem tendências suicidas. Deste modo, podemos seguir o ensinamento de Platão.