Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/10/2021
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão do suicídio entre os jovens no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal Iluminista é constatado na teoria e não, desejavelmente, na prática e a problemática persiste intrisicamente ligada à realidade do país, seja pela omissão do Estado, seja pela falta de esclarecimento social no tocante à prevenção do suicídio. Nessa perspectiva, convém analisar às principais consequências de tal postura negligente para à nação brasileira.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, embora a Constituição garanta à nação brasileira direito à saúde como um todo, percebe-se que o governo torna-se negligente em relação ao acesso à saúde mental, tal fato evidencia-se quando observamos o crescente aumento da taxa de suicídio no Brasil. De acordo com o sociólogo Julio Jacobo Waiselfis, criador do Mapa da Violência, houve um aumento de 60% desde 1980 em relação as mortes causadas por autocídio. Todavia, somente através da valorização e oferta da saúde mental, torna-se possível prevenir o suicídio entre os jovens.
Outrossim, destaca-se que a temática em questão ainda é vista como um tabú social, sendo um assunto pouco compreendido e preferencialmente ignorado entre a sociedade, logo, torna-se ainda mais díficil trabalhar a prevenção entre os jovens. A “Atitude Blasé”, termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life”, ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Dessa forma, tal problema persiste em ser negligenciado entre os indivíduos. Não só o autocídio necessita ser melhor dialogado entre os grupos sociais, mas também é oportuno compreender minimamente os transtornos mentais, bem como as ferramentas disponíveis para o tratamento eficaz com participação social.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Saúde promover a prevenção ao suicídio entre os jovens, por meio da criação de um plantão de escuta terapêutica online, onde deverá ser realizado o acolhimento das pessoas em crise por profissionais da psicologia, a fim de ofertar assistência profissional em situações de desespero em que o jovem possui maior chance de atentar contra sua própria vida. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições de saúde mental no Brasil.