Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/10/2021
A produção “13 Reasons Why” da Netflix, retrata a história de Hannah Backer, uma estudante secundarista que não resiste a problemas como o bullying, violência sexual, depressão.., e acaba atentando contra a própria vida. Assim como retratado na ficção, infelizmente, a incidência do suicídio entre os jovens tem sido frequente no Brasil. Desse modo, é substancial discutir não somente os fatores que agravam essa realidade deplorável, mas também aqueles que impedem subvertê-la.
Precipuamente, convém salientar que, segundo a startup Azois, entre 2014 e 2019, o número de suicídio entre indivíduos de 11 a 20 anos cresceu cerca de 49%. Sob esse viés, percebe-se o quanto a juventude tem sido afetada negativamente pelo meio social em que vive, isto é, a mídia social, ao veicular recortes de vidas perfeitas e estabelecer um padrão de corpo e beleza “ideal”, faz com que um adolescente “comum”, repleto de dúvidas e mudanças no corpo e na mente, sinta-se incapaz de alcançar seus próprios objetivos. Consequentemente, a falta de autoestima causa a depressão, problema que impulsiona comportamentos que, infelizmente, levam à automutilação e até mesmo ao suicídio.
Outrossim, é indubitável que a falta de esclarecimento acerca do tema é um fator-chave na perpetuação do infortúnio. Acerca dessa premissa, nota-se a confirmação do pensamento elaborado pelo psicólogo Tiago Zortea, segundo o qual o suicídio é rodeado de tabus no Brasil e um assunto evitado por muitos cidadãos. A título de exempo, é mister citar o fato de que, seja na família, entre amigos ou no ambiente escolar, o tema é fortemente estigmatizado e sequer existem formas esclarecedoras de auxílio para os jovens que passam por problemas típicos dessa fase da vida. Diante disso, é intolerável que o suicídio continue a dizimar jovens devido à falta de auxílio adequado.
Ante os fatos, é imperioso que o Ministério da Saúde, por meio das escolas de nível fundamental e médio, engaje-se no combate ao suicídio entre os jovens no Brasil. Para tanto, devem ser disponibilizados psicólogos e psiquiatras para a realização de palestras destinadas aos responsáveis e alunos que promovam a discussão clara acerca do suicídio, reafirmando o quanto a mídia prejudica a saúde mental de forma sutil, ao estabelecer padrões estéticos efêmeros e incompatíveis à realidade, tendo ainda a possibilidade de sessões individuais de terapia aos interessados. Tais medidas visam a aniquilação de uma sociedade que perpetua o suicídio mediante comportamentos equivocados e, assim, fazer com que histórias como a de Hannah Backer pemaneçam exclusivamente no ambiente fictício.