Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2021
A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – assegura a todos os cidadãos o direito à vida, à saúde e ao bem-estar social. No Brasil hodierno, entretanto, esse cenário não se faz presente na realidade, uma vez que o número alarmante de suicídio entre os jovens, configura-se como um quadro preocupante para o país, as quais buscam-se caminhos para minimização dessa problemática. Isso se evidencia não só pela falta de assistência parental, como também pela indiferença midiática.
Nessa perspectiva, destaca-se a ausência familiar como impulsionadora do impasse. Segundo o Jürgen Habermas, filósofo alemão, uma das formas de se enfrentar os problemas sociais é por meio do diálogo, com entendimento de ambas as partes, em prol de uma sociedade mais justa. Tal pensamento pode ser comparado à atual conjuntura, uma vez que a falta de assistência parental resulta na escassez de diálogo no meio familiar por não ser realizada, muitas vezez, pelo ritmo de vida acelerado dos pais, por terem que realizar as tarefas trabalhistas. Dessa maneira, os pais deixam de acompanhar seus filhos e, assim, ficam desinformados acerca das crises psicológicas enfrentadas pelos jovens, que, em alguns casos, encontram, infelizmente, no suicídio uma forma de resolver seus problemas.
Além disso, destaca-se o silenciamento midiático como impulsionador do empecilho. Isso pode ser comprovado pelo filósofo Michel Foucault, o qual diz que muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas, o que legitima a falta de debates sobre a prevenção do suicídio nos veículos midiáticos em razão da mentalidade capitalista, por ser vista como algo que não trará lucratividade em razão da baixa adesão da população sobre a temática, inviabilizando sua veiculação na mídia. Dessa forma, os meios de comunicações impossibilitam a democratização do acesso à informação, que, lamentavelmente, gera um desconhecimento sobre o suicídio, a qual permite a invisibilidade e o agravamento dessa questão social, propiciando para que mais casos aconteçam.
Urge, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve o suicídio no Brasil. Nesse viés, o Poder Executivo, responsável pela harmonia social, precisa promover campanha de conscientização sobre a importância do acompanhamento parental, sobretudo no que diz respeito a realização de diálogos familiares com vista aos ensinamentos de como lidar com os problemas emocionais, por meio de debates e programas educativos, no intuito de reorientar os pais acerca dessa questão para que ocorra a minimização das adversidades. Ademais, a mídia deve informar ao corpo social sobre a relevância da prevenção do suicídio para a redução dos casos. Espera-se, com isso, reverter essa conjuntura e, assim, garantir os direitos da Constituição na sociedade.