Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/11/2022

O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne a prevenção do suicídio entre os jovens no Brasil, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Desta forma, observa-se que os caminhos para evitar o suicídio na população mais nova em nosso país reflete um cenário desafiador, seja em virtude do individualismo, seja pela falta de debate.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o individualismo, presente na questão. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao autocídio de parte dos jovens. Essa liquidez, que influi sobre a problemática, funciona como um forte empecilho para sua resolução, uma vez que cada vez mais os laços afetivos de amizade estão mais fracos, o que causa uma sensação de solidão.

Em segunda análise, a falta de debate apresenta-se como outro fator que influencia na dificuldade da prevenção do suicídio. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, debatida de forma pouco minuciosa e lembrada apenas durante um mês dentro do ano, o famoso setembro amarelo, mês da campanha de prevenção do suicídio.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolva “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia e dos jovens falarem como estão se sentindo. Tais atividaes devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente no dia a dia e todos se sintam incluídos. Assim, o individualismo pregado por Bauman deixará de compor a realidade brasileira.