Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/03/2024
Werther, jovem personagem do romancista alemão Goethe, comete suicídio após uma decepção amorosa. Casos de autoextermínio entre os leitores após a publicação do livro foram atribuídos a sua influência (o chamado “Efeito Werther”). Tal relação causal retrata o olhar de “ente contagioso” lançado pela sociedade ao suicídio. Trata-se, porém, de um fenômeno biopsicossocial para o qual cabe prevenção conhecidas as suas causas. Os jovens no Brasil - população que ocupa a faixa etária dos 18 aos 29 anos - constituem um grupo de risco. As suas taxas estão acima da média nacional, enquanto os seus fatores motivadores são obscurecidos pelo silêncio de uma sociedade que não destina solidariedade ao jovem na medida em que não o enxerga como vulnerável.
No Brasil, o suicídio é considerado uma espécie de fatalidade que acontece a alguns poucos azarados. Se a vítima for um jovem, ainda pior: suicídio e juventude não são palavras comumente associadas. Daqueles que são os mais produtivos às forças se trabalho, não se espera diletância. Os números, todavia, questionam esta noção ao demonstrarem alta incidência do suicídio entre jovens brasileiros.
Essa estatística se justifica quando são os fatores de risco ao suicídio em jovens no Brasil. Doenças psiquiátricas são as causas primárias em 80% registros. Inseguraça financeira e a ausência de redes de apoio figuram como agravantes.
Para as doenças psiquiátricas, cabe planejamento específico em saúde mental ao jovem na esfera pública. Para os fatores agravantes, também existem alternativas consolidadas na administração pública. Apesar disso e de forma alarmante, a série histórica para o suicídio entre jovens no Brasil segue alta e em alta. Conclui-se que soluções para o problema não são buscadas na medida em que a invisibilidade cerca este tema.
Portanto, cumpre ao Estado brasileiro assegurar a saúde mental da população jovem como o direito constitucional referido. Para tanto, a prevenção do suicídio entre os jovens deve contar com verbas específicas a este fim já previstas no planejamento orçamentário do Ministério da Saúde, constando, também, nas diretrizes enviadas aos estados e municípios. Atinge-se, assim, uma prevenção abrangente. Paralelamente, a assistência social nos estados deve atuar sobre a insegurança financeira e a ausência de redes de apoio, ambos fatores agravantes para o suicídio entre jovens brasileiro. O trabalho conjunto entre assistência social e secretarias de saúde pode ajudar profissionais de saúde mental a sinalizeram perfis mais suspeitos, viabilizando a prevenção integral.