Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/03/2024
O romance filosófico “Utopia” – criado pelo escritor Thomas More – retrata uma civilização idealizada, na qual a engrenagem social é desprovida de conflitos. No entanto, tal obra fictícia se mostra distante da realidade contemporânea no tocante à prevenção de suicídio entre os jovens no Brasil. Nesse sentido, há de se combater não só o bullying, bem como a falta de apoio familiar que favorecem o quadro.
Em primeiro lugar, cabe pontuar que o bullying é um potencializador do problema. A respeito disso, o sociólogo Gilberto Freyre ensina, em “Casa Grande e Senzala”, que a sociedade impõe diversos padrões sociais e, quem lhes desobedece, é alvo de preconceito. Sob essa lógica, a prática de intimidação sistemática contra um indivíduo sem motivo compromete a saúde mental do jovem, haja vista que promove o isolamento social e transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade. Assim, as vítimas de preconceito encontram no suicídio uma forma de alívio para o desencaixe social.
De outra parte, a indiferença da família é outro complexo dificultador. Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, algumas instituições, na era pós-moderna, configuram-se como “zumbis”. Dentro dessa lógica, tais instituições perderam suas respectivas funções sociais, todavia tentam manter-se a qualquer custo. Sob essa ótica, de forma análoga, as famílias não cumprem seu papel de oferecer apoio para os jovens, uma vez que não se atentam para os sintomas de depressão e não levam os indivíduos a psicólogos, devido a desinformação e ignorância de seu papel social no processo.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para minimizar a adversidade. Para tanto, é papel do Ministério da Saúde, aliado às mídias digitais, conscientizar o corpo social sobre o suicídio, mediante campanhas e debater nas redes sociais e canais abertos. Tais informativos devem conter as consequências da prática do bullying, a fim de alertar e despertar empatia no grupo, bem como orientar as famílias sobre os sinais que antecedem o suicídio e a importância de oferecer suporte ao jovem, com o propósito de tornar a família ativa no seu papel de prevenção ao problema.