Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/03/2018

Na segunda metade do século XIX, ganhou força na Europa a geração do Romantismo que ficaria conhecida “mal do século”, já que seus principais expoentes interpretavam o pessimismo, o isolamento e, inclusive, o suicídio como formas de fuga da realidade. Hodiernamente, tal cenário ainda é comum entre os jovens brasileiros, porém com diferentes causas: enquanto no movimento ultrarromântico o sentimento depressivo tinha como um dos fatores principais o amor não correspondido, no século XXI observa-se maior influência da imposição de estereótipos e da intensa competitividade entre tal parcela da sociedade. Cabe, então, analisar o caminhos para o combate à problemática do suicídio no país.

A priori, é válido destacar a constante disseminação de padrões de comportamento e aparência entre os adolescentes, tanto na mídia como no próprio meio coletivo. Nesse sentido, são nítidas as pressões a que essa camada da sociedade está submetida, o que configura, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a formação de “fatos sociais”, os quais determinam as formas de agir dos indivíduos. Assim, por sentirem-se discriminados diante da negação alheia a todo tipo de conduta não aceita pela maioria, muitos jovens brasileiros recorrem ao suicídio com objetivo sanar definitivamente o sofrimento resultante da exclusão no ambiente em que vivem.

Outrossim, deve-se salientar a influência do individualismo e da competitividade típicos da modernidade na problemática do suicídio. Segundo o filósofo Arthur Schopenhauer, o ser humano é movido por uma força- identificada por ele como “vontade”- que foge de seu controle e leva-o incessantemente à busca por seus desejos. Tal traço, típico de todo e qualquer indivíduo, é mais perceptível entre os jovens, já que esses estão à procura constante pelo destaque diante dos demais, criando um quadro de disputa. Consequentemente, é perceptível que a formação de relações conflituosas durante a fase pré-adulta pode levar os adolescentes à preferência pela morte em detrimento de ter a sensação de fracasso e impotência.

Fica clara, portanto, a necessidade de superação do atual panorama ligado ao suicídio no Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as mídias televisivas, estimular, por meio de propagandas, o maior debate nas escolas e no meio familiar sobre os fatores que podem levar o jovem a se suicidar. Tal medida visa conscientizar a população acerca da importância de considerar tal problemática uma patologia psíquica,  qual pode ser solucionada por meio do diálogo e/ou acompanhamento médico. Só assim a geração “mal do século” terá seu fim na contemporaneidade.