Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/03/2018
A série “Os 13 porquês”, divulgada pela Netflix, relata o drama da adolescente Hannah e suas crises, que a levaram a cometer suicídio. Assim como na dramaturgia, o suicídio é uma realidade na sociedade, muito comum, principalmente, entre jovens de 15 a 29 anos. No entanto, o amparo social aos suicidas em potencial é falho, seja pela persistência do tabu em relação ao suicídio, seja pela falta de apoio psicológico desde a infância. Dessa forma, caminhos para prevenir o suicídio entre jovens brasileiros devem ser pensados, a fim de combater esse problema.
De acordo com o pensamento de A. Schopenhauer, o qual diz que o campo de visão de uma pessoa determina seu entendimento sobre o mundo que a cerca, a superação do tabu social em relação ao suicídio só será possível se houver o pleno entendimento de sua problemática e se esta for visível à população. Explicitar e divulgar à sociedade as causas e a frequência do suicídio é fundamental para que se entenda que ele é um problema a ser resolvido, e não algo banal. Dessa forma, o tratamento dado à pessoa suicida será adequado e amparador, ao invés de discriminatório.
Ademais, a falta de acompanhamento psicológico ao jovem também contribui para o aumento das taxas de suicídio. Depressão, ansiedade, problemas de relacionamento e crises quanto à sexualidade são problemas comuns aos jovens e, se não tratados, podem levar a sérios transtornos psicológicos e, por sim, ao suicídio. A saúde psicológica é de suma importância para o bom desenvolvimento do jovem e para sua futura inserção na sociedade, e ser tida como prioridade às esferas sociais de maior influência em sua vida, como a escola e família. Assim, com o acompanhamento da saúde psicológica, induzir-se-á ao jovem um conforto para a discussão de seus problemas, podendo, assim, combater consequência mais graves e irreversíveis.
Infere-se, portanto, que é uma necessidade social a prevenção do suicídio entre jovens no Brasil. O Ministério Público, em parcerias público-privadas com ONG’s e instituições de combate ao suicídio, pode realizar palestras com profissionais capacitados nas escolas, visando atingir alunos, pais e docentes, a fim de que estes reconheçam a realidade do suicídio entre os jovens e deixem de tratá-la de forma pejorativa. Quanto às escolas, é fundamental que ofereçam acompanhamento psicológico dos alunos desde as primeiras séries. A presença de psicólogos à disposição dos alunos, tanto em escolas privadas como nas públicas, por iniciativa do Ministério da Educação, irá amparar o jovem desde cedo, evitando consequências graves aos problemas juvenis. Dessa forma, os jovens brasileiros e a sociedade em geral estarão amparados quanto a ocorrência de suicídios, ao contrário da série da Netflix, em que as providências só começaram a serem tomadas depois do suicídio de Hannah.