Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 01/04/2018
Como citou o escritor Augusto Cury, os suicidas não querem se matar, mas matar a sua dor. Assim, observa-se nos últimos anos, um aumento considerável nas taxas de suicídio no Brasil, principalmente entre a população jovem. Tal fato está atrelado ao individualismo, bem como à crescente incidência de distúrbios psiquiátricos nessa parcela da população.
Pode-se observar, que as pessoas têm se tornado cada vez mais individualistas e solitárias, mesmo estando inseridas em círculos sociais. Isso se deve a competitividade, a busca intensa por ascensão social e econômica e ao cotidiano intenso de atividades, que tem tornado os relacionamentos interpessoais frágeis ou mesmo inexistentes. De acordo com o sociólogo Durkheim, em seu livro “O Suicídio”, quanto maior o grau de solidariedade social, mais firmemente estão ancorados os indivíduos e menor a probabilidade de se abaterem diante das adversidades. Assim, quanto maior a diminuição da solidariedade social e dos vínculos afetivos, maiores as taxas de suicídio a cada dia.
Dentro desse contexto, segundo a OMS, os distúrbios psiquiátricos, como a depressão, a ansiedade e os transtornos de humor, também acometem muitos jovens, os levando a tentar ou consumar o ato de suicidar-se. Segundo pesquisa realizada pela agência de notícias BBC, as taxas de suicídio cresceram 27% entre os anos 1980 e 2014. Entre as causas, estão o sofrimento mental associado ao uso abusivo de álcool e drogas e a ocorrência de bullyng relacionado à cor, à orientação sexual e à identidade de gênero. Tais fatores, promovem uma fragilidade emocional que pode levar a pensamentos e comportamentos suicidas.
Torna-se evidente portanto, que a sociedade e o Estado estabeleçam redes de apoio para prevenção do suicídio. Em razão disso, as famílias, escolas e demais ambientes de convívio devem ser capazes de estabelecer laços afetivos consistentes, de reconhecer e prevenir agravos, como o isolamento social e o uso imprudente da internet, buscando orientar esses jovens no sentido de entenderem que podem enfrentar e vencer os problemas. Ademais, o Estado deve ampliar e divulgar o centros de apoio emocional e de prevenção ao suicídio, como o CVV (Centro de Valorização da Vida), bem como realizar capacitações e educação continuada para que os profissionais de saúde, principalmente das urgências, possam lidar corretamente com as tentativas de suicídio, através de uma assistência clínica e psicológica humanizada, visando prevenir novas tentativas, bem como o diagnóstico precoce de transtornos psíquicos. Dessa forma, será possível, romper com a cadeia de sofrimento de jovens e famílias e o suicídio deixará de fazer parte do cotidiano de jovens e adultos no Brasil.