Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/03/2018

O contexto do suicídio entre os jovens passou a integrar notícias da mídia nos últimos tempos, principalmente, depois da popularização da série americana “Os treze porquês”. Essa série não traz à tona apenas o drama do ato, como também, revela questionamentos sobre a influência do meio social sobre os jovens e sinaliza o debate sobre o aumento do suicídio nessa faixa etária no Brasil.

Em primeiro plano, de acordo com Durkheim, a análise do suicídio engloba uma complexa questão social. Nesse sentido, é preciso compreender como o meio em que o jovem do Brasil está inserido pode influenciá-lo negativamente, ou pressioná-lo de forma demasiada. Diante de tal raciocínio, deve-se pensar nas cobranças acerca de rendimento escolar destacável e escolhas profissionais tendenciosas que estão sendo impostas cada vez mais precocemente aos futuros adultos. Além disso, o exibicionismo nas redes sociais e o bullying reduzem as interações sociais e provocam o distanciamento das bases afetivas construtivas, como a família e religião.

Em segundo plano, os dados do Mapa da Violência 2017 revelam um aumento de aproximadamente 10% no suicídio entre pessoas de 15 a 29 anos num intervalo de doze anos no Brasil. Tal conjectura pode estar relacionada à perspectiva econômica do país, essa é caracterizada pela dificuldade em conseguir um emprego estável, além da necessidade de experiência ou elevada qualificação profissional, ambas difíceis de encontrar numa pessoa aos vinte anos, por exemplo. Bem como, pode ser ressaltada também a deficiência de políticas de saúde mental para a população brasileira. Nessa linha de pensamento, o setembro amarelo é uma campanha importante para a conscientização e tratamento adequado do suicídio, mas não consegue atingir de forma eficaz a maior parte dos jovens em situação de vulnerabilidade emocional.

Portanto, como forma de prevenir o suicídio e reduzir as taxas entre os jovens brasileiros, são necessárias medidas educacionais e políticas de saúde. Para isso, deve-se implementar grupos de apoio semanais com psicopedagogos e psicólogas nas escolas, tais medidas contemplarão a faixa etária do ensino médio e representarão um espaço livre para o jovem relatar seus medos, problemas familiares, compulsões e sonhos com um profissional adequado. Além do supracitado, podem ser aumentados os números de núcleos de apoio psicológico aos estudantes nas universidades e de projetos de extensão com o mesmo propósito nas unidades básicas de saúde. Esses projetos podem contemplar estágios com atendimentos realizados por estudantes das áreas da psicopedagogia, palestras nos centros comunitários e nas escolas públicas, como também sessões de relaxamento com terapias como a ioga.