Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/03/2018
Sabe-se que há uma grande incidência de casos de suicídio entre os jovens brasileiros, a qual é alarmante e motivo de preocupação. No entanto, este ainda é um assunto pouco discutido no país. Além disso, apesar de ser uma das principais causas de morte no mundo, deve-se lembrar que o suicídio pode ser evitado, dada a devida atenção. Dessa forma, é urgente acabar com o tabu acerca dessa celeuma, a fim de tornar possível a realização das medidas necessárias para o seu extermínio.
Em primeiro plano, percebe-se que, geralmente, transtornos mentais como depressão, bipolaridade e dependências químicas apresentam ligação direta com a realização de ações suicidas. E, como disse o psiquiatra e escritor brasileiro Augusto Cury, “quem comete suicídio não quer matar a vida, mas sim a sua dor”. Logo, essa realidade caracteriza um caso de saúde pública, necessitando ser solucionado. Além disso, segundo o Mapa da Violência, 2898 jovens entre 15 e 19 anos cometeram suicídio em 2014. Ou seja, corriqueiramente, várias pessoas que estão apenas começando a vida optam por acabá-la. Isso pode ser explicado pela impulsividade característica dos jovens, os quais acabam não medindo as consequências dos seus atos. Como também, esse índice pode estar relacionado à incidência de bullying e cyberbullying na sociedade atual, os quais abalam o psicológico dessas pessoas.
Outro fator determinante para a decisão de tirar a própria vida é a sensação de estar sem saída e que não há mais nada a ser feito. Isso causa sofrimento intenso e, na tentativa desesperada de acabar com os problemas, o ato acaba sendo cometido. Todavia, a presença de diálogo entre os jovens com tendências suicidas e suas pessoas próximas poderia evitar essa decisão, mas isso não acontece, na maioria das vezes. Pois, os indivíduos não estão preparados para lidar com tais situações e acabam ignorando os sinais emitidos. Dessa forma, o ocorrência de suicídios tem sido caracterizada como uma epidemia silenciosa. Além disso, o sociólogo francês Émile Durkheim acreditava que o suicídio estava intrinsecamente relacionado ao funcionamento da sociedade; ou seja, os problemas sociais podem incentivar pessoas a cometerem esses atos de desespero.
Portanto, ações socioestatais são fundamentais para o extermínio dos casos de suicídio no Brasil. Primeiramente, cabe ao Estado, principalmente aos Ministérios da Educação e da Saúde, aumentar o esclarecimento da população sobre os transtornos mentais e disponibilizar tratamentos eficazes. Pois, quanto maior o conhecimento, maiores as chances de procurarem a ajuda adequada. Além disso, é necessária a participação da sociedade civil, tanto na conscientização, para que os problemas dos outros recebam a devida atenção e não sejam menosprezados, quanto através dos meios midiáticos e centrais de atendimento, fornecendo esperança aos indivíduos, a qual é o que eles mais precisam.