Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/04/2018

Ariele Vidal Faria, de 18 anos, foi encontrada enforcada em sua casa, na grande São Paulo. Em sua carta de despedida, escreveu “gente morta não decepciona ninguém”. A curta história de Ariele integra um fenômeno crescente na sociedade: o suicídio. Em seu livro “O Suicídio” Durkheim diz que apesar do suicídio parecer um fator individual, é um fator social. De fato, a falta de um lugar no qual o jovem possa se definir e se reconhecer como sujeito, tanto na família como na sociedade, revela um sério problema de saúde pública, pois se configura um assassinato onde vítima e agressor são a mesma pessoa.

Segundo o Departamento de Saúde Mental e Medicina, o contexto familiar é considerado fator desencadeante para a tentativa de suicídio. Dificuldade em lidar com ou ter a própria sexualidade aceita continuam a contribuir para o comportamento suicida. Nesse sentido, é comum que pais se digam compreensivos quanto à sexualidade dos filhos, mas tenham problemas em lidar, na prática, com filhos não heterossexuais.Logo, tornam-se comuns casos como de uma jovem de 19 anos que começou a pensar em se matar após a namorada pôr fim à relação entre eles, “Ninguém nunca percebeu a minha depressão”, contou em uma entrevista para o jornal Globo.

Além disso, a internet pode se tornar um cenário favorável ao fortalecimento do comportamento suicida. Jovens imersos em redes sociais como Instagram assistem a retratos de vidas fantásticas. Internautas tendem a selecionar posts que exibam suas melhores conquistas e constroem cuidadosamente imagens coloridas de suas vidas. Por comparação, a vida de quem assiste a esse espetáculo parece pior, principalmente quando surgem problemas. Diante dessa vida ilusória criada na internet, sentimentos como frustração, dor, evasão da realidade e desejo pela morte assolam as pessoas que não se encontram dentro dos padrões impostos pela sociedade.

Diante da situação exposta, medidas fazem-se necessárias para diminuir os casos de suicídio. Ao Ministério da Educação, mediante ajuda de psicólogos e a Organização Mundial da Saúde, cabe á criação de debates em todas as instituições de nível fundamental, médio e superior, e em novelas, desenhos e filmes, para que esse assunto, bem como as crises existenciais, seja mais naturalmente abordado, além de esclarecer sobre as doenças psiquiátricas e suas consequências se não forem tratadas, para que a população tenha acesso a essas informações e saiba como agir corretamente, a fim de minimizar os efeitos nocivos dessa prática tão presente na sociedade. Ademais, aos órgãos midiáticos, cabe a valorização e compartilhamento do CVV – Centro de Valorização da Vida que atende voluntária e gratuitamente as pessoas que precisam conversar. Com essas medidas, e com a quebra do tabu sobre o tema, jovens como Ariele não terão mais medo de decepcionar ninguém.