Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/04/2018

O suicídio é um assunto que vem ganhando espaço na sociedade. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio ao ano, sendo motivadas, entre outros fatores, pelo sentimento de inadequação à sociedade, pelos transtornos psicológicos e pela não procura de assistência profissional. Dessa forma, o autocídio se torna a segunda maior causa de morte entre os jovens e o seu combate deve ser um dos principais objetivos da sociedade.

O sociólogo francês Durkheim, em sua obra  “O Suicídio”, explicou que, apesar de parecer uma atitude individual, o ato de tirar a própria vida está ligado a questões que envolve toda a sociedade. Segundo o francês, os fatos sociais obrigam as pessoas a se adaptarem aos padrões impostos pela sociedade. Consequentemente, quando não se encaixam nas regras ditadas, os indivíduos se sentem desconectados do corpo social e acabam cometendo suicídio. Dessa maneira, os paradigmas da sociedade contribuem, em grande parte, para o aumento das taxas de suicídio.

Somando-se à problemática, os transtornos psicológicos, como a depressão, a bipolaridade e a esquizofrenia, levam o sujeito a ter pensamentos suicidas. A situação, entretanto, piora quando se descobre que grande parte dos doentes não procuram assistência médica e, muto menos, conhecem associações de prevenção ao suicídio, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), seja por que não reconhecem que estão doentes, seja pelo constrangimento que sentem ao procurar um médico. Por conseguinte, o autocídio tende a aumentar, enquanto a busca pela sua prevenção tende a ser ignorada.

Destarte, cabe à sociedade quebrar os padrões e criar uma política de aceitação da diversidade, a fim de formar um sentimento de inclusão social e não de inadequação. Por outro lado, o Ministério da Saúde, junto com o Estado, precisam elaborar um plano nacional que vise, unicamente, combater o suicídio. Para atingir tal objetivo, o Estado deve tornar gratuitas as ligações feitas para as instituições que lutam pelo fim do autocídio, como a CVV e a CASP (Centro de Atendimento Psicossocial), tornando viável a todos o acesso à assistência profissional. Já o Ministério da Saúde precisa aumentar a rede médica voltada para o tratamento de doenças psicológicas, como a depressão e a esquizofrenia, além de incentivar, por meio de propagandas, cartazes e palestras, as pessoas que têm pensamentos suicidas a procurarem ajuda médica.  À vista disso, o suicídio deixará de ser um fato social e sua atenuação será um avanço coletivo.