Caminhos para reduzir a poluição provocada por automóveis

Enviada em 27/09/2023

A Constituição Federal de 1988 foi um marco na história brasileira, pois foi a primeira vez que o País teve uma constituição que tem como uma de suas bases o direito universal a saúde. No entanto, esse avanço se mostrou insuficiente, visto que a qualidade do ar nas grandes cidades prejudica à saúde de milhares de brasileiros, devido a poluição causada por automóveis. A solução de tal problemática se mostra essencial para a garantia da cidadania de todos, porém tem como estorvo o desenvolvimento histórico dos centros urbanos brasileiros e um descaso da classe política.

Nesse sentido, no livro “A Elite do Atraso”, o autor brasileiro Jessé Souza discorre sobre como o desenvolvimento socioeconômico brasileiro foi guiado por uma elite que apenas se interessava pelos lucros rápidos e todos os outros fatores ficavam à mercê desse. Indubitavelmente, esse processo levou à um cenário onde a organização de um sistema urbano voltado ao transporte público fosse algo secundário. Consequentemente, a expansão da frota de carros particulares se tornou inevitável e com isso veio a piora da qualidade do ar, afetando negativamente na saúde de milhões de brasileiros, como observado pelo autor no livro “Subcidadania brasileira”.

Ademais, esse cenário apontado por Jessé também se refletiu na formação política brasileira, sendo exemplo o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, que teve como uma de suas principais pautas de eleição o estimulo aos meios de transporte privados. Como consequência, esse cenário político leva a uma lenta expansão da malha de transporte público urbano, além de promover políticas que tem como consequência o aumento do número de veículos privados, como apontado pelo recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE).

Em suma, essa problemática exige uma ação robusta do estado e da sociedade civil. Portanto, a União, através do Ministério da Economia, deve criar um plano nacional de expansão da malha urbana de transporte coletivo, com fundo próprio e em parceria com estados e municípios, deve destinar verbas e ajuda técnica para os municípios de maior fragilidade. Além disso, a sociedade civil deve se unir para eleger políticos que visem a diminuição de tal problema.