Caminhos para valorizar os profissionais formados em cursos técnicos

Enviada em 31/10/2023

Durante a Baixa Idade Média, com o advento das corporações de ofício, foi possí-vel o surgimento de um modelo econômico alternativo ao feudalismo. De forma análoga à época, ainda que os cursos técnicos sejam uma opção para além das faculdades, percebe-se, todavia, sobretudo aos profissionais formados nessa área, a necessidade de encontrar caminhos para valorizá-los. Com efeito, vale analisar essa problemática, seja da negligência estatal, seja do combate ao preconceito.

Diante dessa conjuntura, destaca-se o descaso estatal como um entrave no que tange à busca de rotas para incentivar os profissionais em cursos técnicos. Nesse sentido, de acordo com o filósofo John Locke, o trabalho é o meio pelo qual o indivíduo assegura os seus direitos naturais. Sob essa óptica, a ruptura do direito ao emprego é retratada em um cenário cujo Estado deixa de fornecer instrumentos de inserção ao mercado de trabalho aos detentores de conhecimento técnico. À luz disso, na proporção em que o governo criar medidas públicas mercadológicas, por exemplo, fomentar vagas de emprego, será possível estimular a ascensão desse grupo. Logo, recursos de inclusão social são necessários.

Além disso, salienta-se o combate ao preconceito sobre cursos técnicos como ro-ta para valorizar profissionais com especilização técnica. Nesse contexto, segundo a escritora Marilena Chauí, “A democracia deve ser um sistema de direitos igualitá-rios, sem ações que prejudiquem um grupo em prol de outro”. Sob esse viés, evi-dencia-se tal pensamento a partir do momento em que a população prioriza os cursos superiores em detrimento de cursos técnicos. A exemplo disso, à medida em que a sociedade julga os profissionais desse cenário, por desconhecer a função de serviço, demonstra-se o menosprezo em relação ao incentivo dessa área.

Compreende-se, portanto, a urgência governamental perante a valorização de cidadãos com formação técnica. Dessa maneira, o Ministério do Trabalho e Empre-go - órgão que define as diretrizes trabalhistas - deve redirecionar tais profissionais ao mercado de trabalho. Isso será viabilizado, por meio de vagas empregatícias reservadas aos cidadãos formados, a fim de garantir o reconhecimento desse se-tor. Ademais, cabe ao Ministério da Educação demonstrar a atuação desses profis-sionais, com o fito de mitigar o preconceito, associando o seu serviço ao cotidiano.