Caminhos para valorizar os profissionais formados em cursos técnicos
Enviada em 02/11/2023
Em sua obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, José Saramago descreve uma cidade fic-tícia, na qual as pessoas ficam cegas. Na trama, o autor utiliza dessa alegoria para criticar a falta de cooperação da sociedade contemporânea. Neste sentido, ao tran-spor a ficção e analisar a atual conjuntura brasileira, vê-se a similaridade em rela-ção a falta de valorização dos cursos técnico que, ao não valorizar os cursos técni-cos, finda por desvalorizar os profissionais com tal diploma. Desta maneira deve-se analisar como a negligência estatal e a escassez de incentivos fiscais potencializam a problemática, com a funcão de solucioná-la.
Diante deste cenário, denota-se a inoperância estatal como empecilho para a valorização dos profissionais em questão. De acordo com o geógra Milton Santos, em seu texto “As Cidadanias Mutiladas”, a cidadania só atinge sua plenitude quando os diretivos sociais, em sua totalidade, são homogeneamente desfrutados. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do Estado deixa os profissionais técnicos distantes do direito social ao trabalho, e ao trabalho digno; à medida que, apesar de capacitados, muitas vezes se encontram sem oportunidades dignas de suas formação. Dessa maneira, mediante a inoperância, a problemática perdurará.
Ressalta-se, ademais, que a falta de incentivos fiscais potencializa o cenário. Nesse viés, segundo Murray Rothbard, que afirma que a classe política, em detrimento do interesse público, toma decisões baseadas em interesses próprios, a política brasileira não destina verbas para o fomento da valorização dos profissionais em questão por falta de interesse no bem maior. E, em decorrêcia disso, mantém o quadro de mutilação dos direitos sociais. Assim, torna-se urge a necessidade de incentivos, visto a falta deles serem fundamental na sustentação do problema em questão.
Diante do exposto, denota-se a necessidade da implementação de políticas sociais a fim de estabilizar os trabalhadores com diploma de nível técnico. Dito isto, o Estado deve, por meio da Secretaria da Fazenda, fomentar tal valorização através de isenções fiscais para os empresários que contratem os profissionais; além de fiscalizar pelo mesmo órgão. Assim, a sociedade terá uma parcela a mais gozando do direito social ao trabalho digno.