Caminhos para valorizar os profissionais formados em cursos técnicos
Enviada em 03/11/2023
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também caminhos para dar ênfase aos profissionais formados em cursos técnicos - já que grande parcela social não enxerga tal entrave com a devida relevância. Assim, vale ressaltar que a negligência governamental e a naturalização da persistência da desigualdade são fatores que devem ser combatidos.
Diante desse cenário, é lícito postular a passividade governamental no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao pensamento do contratualista John Locke, o qual, em seu contrato social, afirmou que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos individuos. Ao observar o desprezo e a inferiorização aos concluintes de cursos técnicos, nota-se um rompimento no
pacto estabelecido pelo filósofo. Dessa forma, é ilógico um país que deseja alcançar um patamar de elevado desenvolvimento, manter tamanha desvalorização com profissionais aptos em suas especialidades.
Ademais, a irrefutável influência da naturalização da persistência da desigualdade é um fator que dificulta a sua resolução. Com isso, Zigmunt Bauman diz “em tempos de modernidade líquida, a indiferença ao próximo é habitual”, o que remete a situação contemporânea enfrentada pelos trabalhistas quando são vistos como indiferentes dos que possuem uma graduação. Desse modo, a continuidade da desigualdade persiste devido a herança social, a qual limita que pessoas qualificadas de fato sejam vistas pela sociedade.
Fica explícito, então, que maneiras de valorizar concluintes do nível técnico devem ser debatidas. À luz disso, o Estado - responsável por garantir o bem-estar social - deve promover políticas públicas que desnaturalizem o tratamento de desigualdade com os profissionais qualificados, por meio de palestras e a mídia socialmente engajada em promover conhecimento. Isso deve ser feito com o objetivo de promover saídas para valorizá-los de forma igualitária.