Caminhos para valorizar os profissionais formados em cursos técnicos

Enviada em 23/02/2024

Em 1930, o então presidente Getúlio Vargas, observando a necessidade de profissionalizar os trabalhadores para a indústria, surge com a solução de se criar cursos de curto prazo, conhecidos até hoje, como: cursos técnicos, estes eram voltados às classes menos favorecidas. Na atual realidade brasileira, é necessário encontrar caminhos que valorizem os profissionais técnicos no mercado de trabalho. Dessa forma, a mentalidade da sociedade e a insuficiência legislativa são desafios para a valorização destes trabalhadores.

No Brasil, culturalmente a educação era inacessível a população de baixa renda, sendo um símbolo da elite. Marilena Chaui, filósofa, diz que os animais são seres naturais e nós, seres humanos, somos seres culturais.Nesse sentido a mentalidade cultural da sociedade associa o diploma de ensino superior,como um meio de ascender socialmente. Tal perspectiva, contribue com a ideia de que profissionais de nível superior detém mais conhecimento e capacitação, que os de nível médio. Consequentemente, adiciona no mercado de trabalho a desvalorização de cursos técnicos, resultando em vagas de emprego com baixa remuneração.

Outrossim, conforme promulgado na Constituição Federal, de 1988, é dever do Estado garantir a igualdade de direitos a todos os cidadãos brasileiros. Contudo, a desvalorização deste profissionais, em suas funções trabalhistas demonstra a insuficiência da legislação. Devido a pouca fiscalização governamental, surgem vagas de empregos, com baixas remunerações, alta demanda de horas trabalhadas, além de poucos ou nenhum beneficio, que incentive o trabalhador. Neste cenário, o profissional técnico é pouco reconhecido e está situação, tende a perpetuar sem mudanças significativas e rápidas, por parte do Estado.

Portanto, infere-se a necessidade de se combater a mentalidade da população e insuficiência da legislação. Para isso, cabe ao governo federal - responsável por promover o bem-estar do cidadão - criar um orgão supervisor, junto ao Ministério do trabalho, que analise as vagas de empregos oferecidas e penalize se necessário empresas que perpetuem a cultura de desvalorização do trabalhador de nível técnico. Tal medida, terá a finalidade de garantir melhores condições de trabalho aos profissionais técnicos e o reconhecimento da importância de seus diploma.