Caminhos para valorizar os profissionais formados em cursos técnicos
Enviada em 13/01/2024
Em um país no qual o status tem grande importância, a “explosão” do número de universidades, em quantidade e facilidade de acesso, fez do Brasil um país onde os cursos técnicos, por fornecerem capacitações rápidas e dinâmicas, fossem menos valorizados, ou até mesmo “desprezados”, diante do irreverente processo acadêmico tradicional.
Segundo uma matéria da BBC, num período de quinze anos, entre os anos dois mil e dois e quatorze, houve um aumento de quinze por cento no número total de universidades, sendo elas públicas, ou privadas por acesso via ProUni e FIES. Com uma maior facilidade de ingresso, a falácia de que as graduações são “melhores” que os cursos técnicos ganhou força ao permitir que determinadas camadas da população, que antes viam no curso técnico sua única forma de ascensão social, tivessem acesso à graduação, reforçando o senso comum em relação à comparação entre as duas modalidades de formação.
Em um paralelo com a obra “Modernidade líquida”, de Bauman, é possível notar a maneira como as falácias populares ganham destaque por causa da superficialidade, do julgamento “raso” que é feito a partir delas, levando a população a crer na inferioridade de certas coisas, como os cursos técnicos, somente por não terem seus prós e contras avaliados precisamente.
Conclui-se, portanto, que a ideia de “melhor” ou “pior” no par graduação/técnico nasce de uma falta de discernimento de suas vantagens e desvantagens de um em relação ao outro, sendo necessária, por parte do Estado, a criação de campanhas de conscientização, para a população, sobre as diferenças e as vantagens de cada modalidade, principalmente nas escolas, focadas em alunos do ensino médio, levando em consideração suas realidades sociais e faixas-etárias.