Caminhos para valorizar os profissionais formados em cursos técnicos

Enviada em 08/03/2024

Em 1909, o então presidente Nilo Peçanha criou 19 escolas de aprendizagem e artesanato com o objetivo de cultivar o trabalho manual e reduzir as atividades relacionadas à escravidão, formando assim a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Técnica. Contudo, até hoje, embora esta rede tenha se tornado um marco na expansão da educação profissional e técnica nacional, fatores como o investimento qualitativo limitado e os escassos incentivos para cursos técnicos ainda são desafios à sua expansão.

Diante desse cenário, observa-se uma menor preocupação estatal quando se trata de unidades já criadas. Nesse contexto, dados do governo federal brasileiro apontam que, em 2019, foram contabilizadas 661 unidades federais de ensino. Dessa forma, dado esse expressivo número de instituições em todo o Brasil, nota-se êxito nos aspectos quantitativos, mas uma falha em fatores qualitativos, já que muitos locais possuem dificuldades de infraestrutura, recursos humanos e financeiros, de modo que isso prejudica o seu funcionamento.

Os trabalhadores que concluem cursos técnicos ganham em média 32% mais salários do que os trabalhadores com apenas o ensino secundário tradicional. Além disso, as chances de conseguir emprego após a conclusão do ensino técnico também aumentam. Isto é confirmado pela taxa de desemprego deste grupo de profissionais, que é em média de 7,2%, contra 10,2% do grupo do ensino secundário com cursos gerais. Esses dados estão incluídos no estudo do Itaú Educação e Trabalho.

Conclui-se, é preciso tornar os desafios que impedem a expansão da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio de mapeamentos informacionais, realizar o estudo das necessidades das unidades federais, como a defasagem na infraestrutura, a fim de investir, primordialmente, nos locais que já existem e, por conseguinte, ocasionar uma melhora qualitativa no eixo educacional. Em acréscimo, o Estado deve oferecer incentivos fiscais aos meios midiáticos que veicularem informes sobre os cursos técnicos, a fim de ressaltar a importância deles para a formação dos indivíduos.