Caminhos para valorizar os profissionais formados em cursos técnicos
Enviada em 20/09/2024
Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou uma das leis mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante a dignidade laboral e o trabalho. Todavia, a desvalorização dos cursos técnicos na formação dos profissionais mostra que o Brasil desrespeita os direitos assegurados pela ONU. Assim, há de se combater o silenciamento social e a omissão estatal.
Diante desse cenário, a desinformação contribui para a indignidade dos trabalhadores. Nesse viés, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O ser e o nada”, que existe um conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual há temas banidos dos debates coletivos. Sob tal lógica de Sartre, a discussão acerca da valorização dos profissionais técnicos, embora seja relevante não recebe devida importância. Tal negligência é evidenciada pelo descaso desses profissionais, a exemplo dos cuidadores de idosos, que trabalham além de suas responsabilidades profissionais, como a realização de tarefas domésticas. Dessa forma, é incoerente que o Brasil ainda conviva com o arcaico silenciamento social.
Ademais, a inércia do Estado motiva a perpetuação do problema. Nesse sentido, Norberto Bobbio - expoente filósofo italiano - afirma que as autoridades devem não apenas ofertar benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua na prática. Sob essa ótica, segundo o raciocínio de Bobbio, o Estado deve não só criar políticas públicas que assegurem o direito ao trabalho, mas também garantir que a sociedade vivencie em seu cotidiano. Essa falta de iniciativa estatal é evidenciada pelo desemprego, haja vista a carência de leis que assegurem entrada de profissionais técnicos no mercado de trabalho.
É urgente, portanto, que o Ministério do Trabalho e as escolas - responsáveis pela transformação social, contribuam para o reconhecimento dos profissionais de nível médio, por meio de projetos sociais como palestras sobre essas formações e suas áreas de atuação. Além disso, o Estado deve implementar mais cotas trabalhistas obrigatórias nas corporações. Essa iniciativa terá a finalidade de solucionar desinformação e o descaso com os tecnólogos e garantir que os direitos defendidos pela ONU sejam, em breve, a realidade no Brasil.