Catástrofes sociopolíticas: a importância de conhecer a história do próprio país
Enviada em 18/03/2023
De acordo com Leymah Gbowee, ativista africana e ganhadora do Nobel da Paz, para os jovens poderem realizar protestos e exigirem mudanças políticas, eles devem ter conhecimento sobre o contexto em que estão inseridos e todo o processo histórico que levou ao presente. Em contrapartida, no Brasil, em decorrência da precarização do ensino, muitos indivíduos se encontram alheios da herança histórica que provém a sociedade em que se encontra, levando a enxergar o ambiente como “fruto do presente”. Ademais, alguns indivíduos podem aderir a movimentos e posições que defendem ideias que no passado se mostraram danos a sociedade, sendo usados como “massa de manobra”.
No Brasil, um dos grandes revés no aprendizado da história, conforme o artigo “Ensino de História: uma reflexão sobre materiais e métodos de ensino”, de José Clécio Silva de Souza, seria os métodos de ensino utilizados, que se baseiam na decoração de fatos suscetíveis e interpretação de textos, que por sua vez leva ao desinteresse no aluno e gera um desestímulo ao estudo. Não só isso, mas a Reforma do Ensino Médio, que entrou em vigor em 2022, afetou principalmente os estudos de ciências humanas dentro da grade curricular. Os componentes de história, filosofia e sociologia foram compiladas em uma única matéria denominada “Ciências Humanas e Sociais aplicadas”, tornando o estudo de cada matéria extremamente superficial e também optativo durante os três anos.
Por consequência, o resultado acaba sendo indivíduos alienados, apresentando uma grande pobreza intelectual e suscetíveis a manipulação por grupos de ideais extremistas que enxergam nessas pessoas uma maneira de cooptar adeptos as suas causas, como manifestantes que durante a pandemia de COVID-19 e no período pós eleição de 2022, exigiram intervenção militar, participando de manifestações e ataques terroristas as unidades do governo federal.
Em resumo, para que o estudo de história seja aprofundado na sociedade, o Ministério da Educação deve revogar o Novo Ensino Médio, promover a diversidade de métodos de ensino, investir na infraestrutura das escolas e democratizar o acesso a livros e artigos, para que o Estado forme cidadãos intelectuais, politizados e que conheçam suas identidades e sua origem.