Causas do aumento do consumo de álcool no Brasil

Enviada em 31/08/2025

No clássico “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, o autor retrata personagens dominados por vícios, como o álcool, denunciando problemas sociais do século XIX. No Brasil atual, ainda é possível observar a persistência desse cenário, uma vez que o consumo abusivo de bebidas alcoólicas permanece elevado. Esse quadro se explica, sobretudo, pela naturalização cultural da bebida e pela insuficiência de políticas públicas efetivas.

Neste contexto, a sociedade brasileira reproduz uma cultura de banalização do álcool. Festas, encontros familiares e até propagandas midiáticas reforçam a ideia de que beber é sinônimo de diversão e pertencimento social. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), cerca de 18 milhões de brasileiros apresentam algum transtorno relacionado ao consumo de álcool, demonstrando que o problema vai além de escolhas individuais. Assim, a normalização social perpetua o abuso e dificulta o reconhecimento do vício como questão de saúde pública.

Além disso, há falhas na atuação governamental em relação à regulação e à prevenção. Apesar de a legislação restringir a venda para menores de idade, estudos do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que muitos adolescentes têm fácil acesso a bebidas alcoólicas. A fiscalização precária, aliada à ausência de campanhas de conscientização contínuas, favorece a manutenção desse hábito entre jovens e adultos. Dessa forma, a omissão estatal contribui para o agravamento do quadro.

Em suma, o Ministério da Saúde — responsável por medidas preventivas no país — deve intensificar campanhas educativas sobre os riscos do consumo de álcool, por meio de ações permanentes em escolas, mídias e espaços comunitários, a fim de reduzir a banalização social da bebida e minimizar os impactos à saúde coletiva. Desta forma, vícios como os representados em “O cortiço” serão extintos e o bem-estar social predominará.