Causas do aumento do consumo de álcool no Brasil
Enviada em 22/08/2024
“Não, nunca vou para casa, não durmo, não como, só faço isso repetidamente.” Esse trecho da música “365”, cantada por Charli Xcx, retrata um ciclo incessante e excessivo de festas, uso de bebidas álcoolicas e drogas ilícitas. Analogamente, tal comportamento, infelizmente, reflete o refúgio de muitos para aliviar pressões sociais e emocionais. Assim, a glamorização e a normalização do exagerado uso de álcool se revelam como causas do aumento do consumo de álcool no Brasil.
Em primeiro plano, o álcool é muitas vezes promovido como um alívio para angústia e é glamorizado como uma solução para problemas. Sob a ótica do filósofo Zygmunt Bauman e sua teoria da “modernidade líquida”, é apontado como a sociedade contemporânea apresenta uma relação fetichista, centrada na realização do prazer imediato, assim, o indivíduo tenta preencher o vazio existencial com experiências momentâneas, como o uso excessivo do álcool.
Por conseguinte, a normalização do consumo de álcool, especialmente entre os jovens, revela como comportamentos anteriormente considerados problemáticos são agora aceitos e até incentivados. Tal qual, esse fenômeno pode ser relacionado à obra “O Grito” de Edvard Munch, que simboliza a angústia e o desespero diante das pressões da vida moderna, assim como a figura da pintura parece sufocada e impotente diante da realidade que a cerca, a normalização do consumo de álcool mascara o desconforto e a ansiedade da sociedade.
Portanto, é imprescindível que o Estado, em conjunto com a Anvisa, adote medidas regulatórias mais rigorosas sobre a publicidade e a comercialização de bebidas alcoólicas, por meio da imposição de restrições em horários e conteúdos publicitários, além de aumentar a fiscalização de vendas de álcool a menores de idade, a fim de reduzir o acesso indiscriminado ao álcool, especialmente entre os jovens, e desestimular o consumo excessivo. Assim, será possível tratar o problema em sua raiz, evitando que o álcool seja visto como uma solução fácil para as pressões da vida moderna. Afinal, como Bauman aponta, o consumo desenfreado é apenas uma fuga temporária, enquanto a verdadeira solução requer enfrentar as angústias profundas da modernidade líquida.