Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 06/01/2021

Consoante o artigo 205 da Constituição Federal, a educação, direito de todos e dever do Estado, será promovida e incentivada visando ao pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania. Todavia, no que tange à educação digital, peça fulcral na sociedade tecnológica, há um enorme deficit. Nessa perspectiva, faz-se mister um olhar atento para os jovens, visto que estão no proceso de amadurecimento e formação de identidade e, desse modo, mais suscetíveis à dependência digital. Essa dependência deve-se, principalmente, às relações que a sociedade construiu de aparência e existência, e tem como consequência o distanciamento da realidade.

Mormente, vale ressaltar que a maneira como a sociedade sobrepõe o mundo virtual ao real está diretamente relacionada com a dependência digital. Segundo o escritor Guy Debord, na obra “Sociedade do Espetáculo”, as relações interpessoais são mediadas por imagens, desde de campanhas publicitárias até a própria formação de identidade. Nesse cenário, as mídias digitais, como Facebook, Instragram e Youtube, possibilitam a população, em especial aos jovens, criar, a partir de fotos, vídeos e até linguagem de “emojis”, identidades idealizadas que se destacam do comum. Assim, o ambiente digital tornar-se viciante pois propicia uma fuga da mediocridade, possibilitando, rapidamente, ascensões sociais que, no mundo real, seriam árduas.

Ademais, em decorrência da construção da identidade virtual idealizada, cria-se um distanciamento do cotidiano real. Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, na obra “Cegueira Moral”, os aparatos tecnológicos e a celeridade do dia a dia fazem com que haja uma indiferença ao sofrimento alheio, pois há um enfoque na formação de identidades privadas e não para demandas da coletividade. Desse modo, a imersão digital, quando não orientada, isola o indivíduo das relações reais e, consequentemente, o senso de empatia se perde. Nessa conjuntura, o ataque terrorista, que ocorreu na Nova Zelândia em 2019, transmitido ao vivo nas redes sociais do atirador, ilustra a sobreposição do digital à realidade.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Logo, o Ministério da Educação, por meio de parcerias com os meios de comunicação, deve promover campanhas e palestras, a fim de esclarecer a população sobre os riscos do uso indiscriminado das plataformas digitais. Essas campanhas devem ocorrer nas rádios, na TV, na escolas e nas mídias digitais, a fito de alcançar um maior número de pessoas e faixas etárias. Além disso, elas devem utilizar exemplos concretos, como o ataque terrorista supracitado, no intuito de facilitar a compreensão do risco de deslocamento da realidade. Dessarte, a educação será plena e o direito constitucional efetivado.