Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 03/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito ao acesso à internet como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando observamos que a maioria da população de classe média baixa, não tem acesso a internet, dificultando assim, a universalizão desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, tais como: a desigualdade social e a falta de supervisão dos pais ou responsáveis para com as crianças e jovens.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a desigualdade social. Nesse sentido, enquanto a classe média baixa não tem fácil acesso a internet em casa, e muitas vezes nem os aparelhos necessários, as classes, média e alta tem recursos em abundancia, facilitando assim, que esses jovens se tornem viciados em seus aparelhos, transformando-os em dependentes dos mesmos. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma quebra do ‘‘contrato social’’, já que o Governo não cumpre a sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos sociais indispensáveis, como o acesso a internet,  que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de supervisão dos pais e responsáveis para com os jovens, como principal impulsionador do descontrole dos mesmos nas redes sociais e jogos no Brasil, pois apartir do momento em que não se tem um limite de tempo para ser utilizado nem supervisão, os jovens se sentem desempedidos para fazerem o que quiserem nas redes. Segundo o Mobile Ecosystem Forum, o Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, comparado aos cerca de mais de 200 milhões de habitantes do país, a desigualdade fica evidente. Logo é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso é imprecindível que a Secretaria de Justiça, por intermédio da Câmara e do Senado, crie leis a fim de garantir o fácil acesso a internet para as classes baixas, democrátizando dessa forma, a ultilização desse recurso para todas as classes. Também é cruscial que a mídia, por meio de propagandas nos canais de TV façam campanhas para concientizar os pais da importancia de haver a devida supervisão dos adultos, trazendo com isso, somente os benefícios da internet para os jovens. Gerando assim, uma sociedade mais conciente e igualitária, onde o Estado desempenha corretamente o seu ‘‘contrato soacial’’, tal como afirma John Locke.