Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 03/01/2021
Segundo o físico Albert Einstein, “O espírito humano precisa prevalecer sobre a tecnologia”. Apesar de proferida há mais de 60 anos, a frase do célebre cientista se revela atual, uma vez que é crescente a dependência digital dos jovens. Diante desse cenário, torna-se essencial a análise de suas causas e de suas consequências, como a incapacidade do Estado na resolução da situação e os possíveis transtornos físicos e psicológicos causados por ela.
Em primeira análise, é fulcral discutir a ineficácia estatal no tratamento do assunto, visto que o poder público não consegue evitar a dependência digital nos jovens brasileiros. Nesse sentido, conforme filósofo Jean-Jacques Rousseau, há uma ruptura do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o seu dever de garantir o gozo de direitos constitucionais pelos seus cidadãos, como o bem-estar social e a dignidade da pessoa humana. Dessa maneira, a quebra do acordo ocorre diante da incapacidade do governo em promover políticas públicas de controle do uso e de reabilitação. Desse modo, é inaceitável a postura omissa dos governantes, a qual repercute na propagação de gerações de jovens dependentes.
Em segunda análise, deve-se destacar que sérios problemas à saúde podem ser consequência da dependência digital dos jovens. De acordo com um estudo realizado pela “Public Health England”, agência pública britânica, crianças que passam mais de quatro horas por dia conectadas à internet são mais propensas a desenvolver obesidade, ansiedade, depressão e baixa autoestima. Nesse contexto, essas doenças são resultado da falta de interações sociais e pessoais fora dos ambientes eletrônicos. Assim sendo, fica demonstrado que o uso, exacerbado e sem controle, das tecnologias informacionais não pode mais ser tolerado, sob pena de prejuízo à integridade física e mental dos indivíduos.
Portanto, é mister que atitudes sejam tomadas para superar o quadro de dependência digital dos jovens na contemporaneidade. Para isso, o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, deve, por meio de audiências públicas e de verbas governamentais, criar campanhas publicitárias, veiculadas em diversas plataformas, digitais e tradicionais, alertando para os prejuízos do uso em excesso das tecnologias informacionais. Essa ação será elaborada por educadores, pedagogos e membros da sociedade civil, no intuito de promover controles parentais quanto ao uso dos eletrônicos, diretrizes de reabilitação e a criação de hábitos saudáveis na vida cotidiana dos jovens brasileiros. Dessa forma, será possível a criação de uma sociedade que põe em prática os ensinamentos do maior físico teórico da história.