Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 03/01/2021
No começo dos anos 2000, uma das grandes preocupações era com a nova doença da contemporaneidade: o sedentarismo. Entretanto, um novo distúrbio da saúde tem criado raízes nas pessoas, a Nomofobia, que é o medo de ficar sem celular, ou de não poder usá-lo, por falta de bateria, sinal ou internet. Nos jovens, com isso, tal dependência digital tem gerado transtornos nas relações sociais causados pelo hedonismo e, por conseguinte, uma inversão de papel dos indivíduos socias.
Primeiramente, é imperioso salientar que a busca por prazer imediato tem gerado jovens dependentes dos meios digitais. Ademais, essa postura hedonística alinhada ao pensamento de Arthur Schopenhauer de que os limites do campo de visão do indivíduo determina sua percepção de mundo é nociva às relações sociais. Ora, os jovens que passam horas em jogos digitais, redes sociais buscam realizar seus desejos por meio dessas ferramentas, já que a tecnologia permite quase uma instantaneidade das ações e reações no meio virtual. Consequentemente, é claro que que isso gera problemas, pois essas pessoas perdem o convívio social real, limitam seu desenvolvimento pscológico por possuirem sua visão de mundo alicerçada, em maior parte, na esfera digital.
Concomitantemente, a dependência digital inverte o papel dos jovens na sociedade contemporânea. Embora as novas tecnologias façam parte da vida cotidiana, há um processo de personificação dos meios digitais, por parte dos jovens, que atribuem um sentimento de extrema necessidade dessas ferramentas. Isso é muito parecido ao que é posto por Zygmunt Bauman - no livro ‘‘Vida Para Consumo’’- ao mostrar que a pessoa deve se tranformar em produto para ser reconhecida como indivíduo. Assim, os jovens são ‘‘coisificados’’ por tamanha dependência digital, dado que é por meio dessa tecnologia que ele pode se expressar e se reconhecer como pessoa e, na ausência dela, pode enfrentar inúmeras dificuldades de conscientização de si mesmo.
Portanto, fica claro os danos causados pela dependência digital dos jovens e cabe à família perceber e acompanhar os comportamentos desses indivíduos no uso dessa ferramenta e limitar seu uso quando necessário. Isso pode ser realizado por meio do controle do tempo de consumo dessa tecnologia, como jogos online e redes sociais, associados à estímulos de vivência familiar e social, como visitar praças, museus e praias. Deve-se também haver acompanhamento profissional, como de um psicólogo ou psiquiatra. Essa medida visa mitigar os transtornos causados pela dependência digital dos jovens tanto no seu ciclo familiar, quanto no seu ciclo social. Dessa forma, ao cuidar da saúde psicossocial desses indivíduos, distúrbios como a Nomofobia será apenas mais um nome de doença catalogada.