Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 04/01/2021

Segundo Bill Gates, a tecnologia tem o poder de mudar o mundo. Contudo, o uso excessivo dessas tecnologias pelos jovens deu início à dependência digital, a qual, apesar de ainda não ser dimensionada no Brasil, está associada a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Assim, por comprometer aspectos importantes da vida social, é necessário discutir as causas e as consequências dessa problemática na contemporaneidade.

A princípio, conforme Agostinho de Hipona, a busca por preenchimento é a causa do vício. Nessa lógica, o uso abusivo de aparelhos digitais pelos jovens corrobora com a afirmação do filósofo, dado que, em uma sociedade cada vez mais marcada pela superficialidade e velocidade, é comum ao indivíduo, além de acompanhar seu ritmo, sentir-se essencialmente vazio. Logo, ele recorre à dinâmica do mundo virtual à procura de um preenchimento que não será encontrado; em seu lugar, o usuário estará capturado no ciclo vicioso das redes sociais. Sob a perspectiva de Agostinho de Hipona, o preenchimento desse vazio existencial não ocorre no mundo material e, dessa maneira, entende-se que as ferramentas digitais, apesar de estabelecidas no cotidiano, têm determinadas funções práticas e racionais, as quais não devem ser subvertidas a fim de solucionar questões humanas subjetivas.

Além disso, de acordo com Jean-Paul Sartre, o ser humano é condenado a ser livre. Nesse sentido, o a dependência digital a partir uso excessivo do celular confronta o pensamento do filósofo francês, visto que o próprio usuário submete-se à perda da sua liberdade, isto é, engana-se ao achar que é responsável pela escolha de continuar a usar o aparelho, quando, na verdade, está inconscientemente preso a uma tecnologia cujo propósito é justamente viciar. Dessa forma, o uso problemático do celular – praticado por cerca de 30% da população brasileira, conforme o Ministério da Saúde – desencadeia uma série de consequências negativas para a saúde mental do indivíduo, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico etc. Assim, a dependência digital compromete o desenvolvimento cognitivo dos jovens e deve ser estudada e combatida.

Portanto, cabe às escolas direcionar os jovens ao uso consciente das tecnologias, por meio da inclusão dessa temática nos currículos escolares – com, por exemplo, a abordagem dos impactos negativos, a funcionalidade das tecnologias, para que elas servem, ou não servem etc. –, a fim de conscientizar o jovens desde cedo. Ademais, é dever do Ministério da Saúde promover a produção de pesquisas sobre essa problemática, através do financiamento dessa área, com o objetivo de entender melhor as novas patologias do século XXI. Com isso, será possível criar uma relação mais saudável com as tecnologias e proteger a população jovem.