Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 04/01/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde e à proteção da infância como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a dependência digital dos jovens na contemporaneidade, considerado um transtorno com graves consequências, dificultando, deste modo, a universalização desses direitos sociais tão importantes. Diante dessa perspectiva, faz-se necessária uma análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a compulsão digital dos jovens. Nesse sentido, é indubitável perceber que são escassas as políticas públicas, como campanhas ou programas de incentivo a informação sobre o assunto, no país. Desse modo, a dependência das crianças e jovens se torna um vício, causando prejuizos extensos nas áreas pessoal, familiar, social, educacional e em relação à saúde física e mental. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde e a infância, o que fica evidente no Brasil.

Ademais, é fundamental apontar a falta de remediação familiar como impulsionador da dependência dos jovens. Segundo um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a falta de supervisão dos pais é um grande indicativo para o abuso das tecnologias pelos jovens, sendo que 82% dos adolescentes mencionaram não ter limites de uso definidos por seus responsáveis. Diante de tal exposto, fica claro como os pais tem papel importante para garantir o uso correto das tecnologias. Entretanto, o que se observa é uma delegação dessa função e um descaso para com os malefícios do uso abusivo pelas crianças e adolescentes. Logo, é incabível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para tanto, urge que o Governo, como mantedor do bem-estar social, na figura do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, crie campanhas com conteúdo voltado aos perigos do uso excessivo das tecnologias e suas consequências, sendo veículadas nos postos de saúde, escolas e espaços públicos, com o objetivo de conscientizar a população. Além disso, cabe às grandes empresas de tecnologia, como Samsung, Apple, entre outras, criar um mecanismo de advertência aos usuários quando ultrapassar uma quantidade de horas de uso considerada saudável. Assim, tornar-se- á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.