Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 04/01/2021
Na fase realista de Machado de Assis, ele identificou o corpo social brasileiro e arquitetou críticas aos hábitos egoístas e visíveis que definem o país. Não longe da ficção, vê-se aspectos parecidos no que se refere à questão da dependência digital e de suas consequências na sociedade. Diante de tal contexto, tornam-se notórias, como causas, a ausência de debate, tal como a escassez de conhecimento social. À vista disso, é crucial a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Convém ressaltar, a princípio, que a carência de debate mostra-se como um dos obstáculos para a resolução do problema. Nessa lógica, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que a dependência de meio digitais entre os jovens seja resolvida, faz-se necessário discutir sobre ela. Todavia, nota-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é bastante silenciada em meios como a escola, a mídia e a própria casa do indivíduo, lugares onde o diálogo é escasso e, quando ocorre, regularmente dá-se por meio de linguagem autoritária. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo aumentaria a chance de atuação nele.
Outrossim, constata-se que a falta de conhecimento social é uma das razões pelas quais a complicação persiste. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “pensamentos sem conteúdo são vazios e intuições sem conceitos são cegas”. De fato, embora esse pensamento não tenha sido escrito sob viés social, observa-se que a ideia liga-se à questão da submissão dos jovens para com os meios tecnológicos, já que o Estado, muitas vezes, não propicia atos conscientizadores com o objetivo de educar o corpo social para resolver o contratempo e, por esse motivo, a população jovem continua a sofrer com os vícios desenvolvidos a partir da depência digital. Destarte, é inaceitável que essa conjuntura continue a perdurar.
Portanto, ações devem ser tomadas para reverter o impasse. Desse modo, faz-se indispensável que o Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura, elabore oficinas educativas, em locais públicos de grande movimento, para a população em geral, por meio de palestras de psicólogos, que orientem sobre como a submissão aos meios digitais podem desenvolver problemas psicológicos a partir do uso exarcerbado da tecnologia. Ademais, nesses momentos, é preciso trazer para discussão os benefícios de viver em equilíbrio com o meio tecnológico, para que haja o esclarecimento e, por consequência, o devido tratamento a essa parcela da população. Dessa maneira, talvez, o egoísmo permaneça apenas no universo de Machado de Assis.