Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 04/01/2021
A robotização de jovens na contemporaneidade
“Pane no sistema! Alguém me desconfigurou” enunciou a cantora Pitty na obra “Admirável chip novo” ao retratar um cenário de “pessoas robotizadas” sob um imperativo de comprar, usar e até mesmo de um pensar sistematizado. Com efeito, a canção se torna cada dia mais atual ao associá-la com os padrões comportamentais resultantes da dependência digital dos jovens. Logo, urge a solidificação das relações contemporâneas da denominada Geração Visual.
Em primeiro plano, é importante abordar os fatores que contribuem com o aumento de usuários jovens na esfera digital. Nesse contexto, destacam-se as redes sociais e as plataformas interativas de filmes, séries e jogos, que utilizam de ferramentas atrativas, constantemente atualizadas, para cativar novos usuários, bem como mantê-los ativos. Desse modo, emerge uma geração de vínculos virtuais, em substituição à interação pessoal. O digital perpassa o físico, seja nas questões sociais, seja nas educacionais, em virtude da facilitação ofertada pela tecnologia. Assim validando as palavras de Pitty: “nada é orgânico. É tudo programado”.
Além disso, a excessiva exposição dos jovens aos recursos digitais favorece o desenvolvimento de problemas de natureza oftalmológica e psíquica, haja vista o longo tempo diante de telas e luzes prejudiciais a visão e a introspecção causada pela carência da socialização, do contato físico, do brincar e da relação com o meio ambiente; posto que o indivíduo é reflexo das experiências que vivencia com o ambiente externo.
À luz do exposto, é preciso que as instituições de ensino básico e superior utilizem metodologias dinâmicas, que estimulem o contato dos jovens com o ambiente externo, fomentem o trabalho em grupo e o debate em sala de aula, bem como a pesquisa de campo. Outrossim, faz-se necessária a aproximação entre escola e família, a partir da formação de pais para acompanhar e definir uma rotina para os filhos, fixando um tempo de acesso ao digital e, em casos necessário, incitar a procura pela terapia.