Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 05/01/2021
A famosa série “Black Mirror” retrata, distopicamente, a forma com a qual a tecnologia influencia a sociedade. Com isso, também é apresentado os malefícios resultantes de seu uso, a depender da forma com a qual é usada. Paralelamente, atualmente é notória a dependência tecnológica por parte, principalmente, dos jovens, advinda de uma divinização da tecnologia e podendo resultar, como consequência, em doenças psicológicas.
Em primeiro plano, vale destacar a ideia defendida pelo educador Paulo Freire, em sua célebre obra “Pedagogia da Autonomia”, na qual aponta que divinizar - ou demonizar - a tecnologia, é uma atitude perigosa, que se distancia do que ele chama de “pensar certo”. Sob esse viés, o excesso com o qual muitos jovens investem seu tempo em redes sociais e jogos, por exemplo, os alieniam e distanciam do pensamento crítico e do ceticismo perante o mundo ao seu redor. Além disso, o capitalismo extensivo também colabora com essa dependência, ao passo que impõe a ideia da necessidade constante de se ter o mais novo e atual - seja ele um celular, um jogo ou um filtro no Instagram.
Em segundo plano, como consequência do primeiro tópico, os chamados “millennials” tendem a sofrer mais frequentemente com doenças psicológicas. Isso ocorre porque, com o excesso de prazeres facilmente acessíveis, a monotonia e a solidão costumam ser acionadas ao distanciar-se de seu vício - por exemplo, a falta de internet. Assim, corroborando o pensamento do sociólogo Howald Becker sobre o que intitulou “periferia social”, que diz que pessoas com características diferentes tendem à exclusão - ou à autoexclusão - quando expostas a realidade distintas. Sendo assim, jovens internautas que se situam em um determinado grupo virtual - numa massa de incontáveis outros - ao serem expostos a uma realidade física menos diversificada, muitas vezes, se sentem solitários, podendo resultar nas doenças psicológicas - como ansiedade e depressão.
Desse modo, faz-se necessário que a dependência tecnológica seja superada, evitando malefícios à saúde mental dos jovens. Para tanto, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, devem promover uma campanha que desperte o interesse dos jovens a práticas extra-tecnológicas, utilizando das redes sociais mais famosas para promover os chamados “challenges”, buscando os incentivar a passar menos tempo virtualmente. Além disso, devem promover o acesso gratuito a psicólogos nas escolas, com o intuito ajudar jovens que já se encontram sofrendo pelas consequências da dependência tecnológica e, assim feito, a sociedade possa usufruir do melhor lado do apresentado em “Black Mirror”.