Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 07/01/2021

Consoante o artigo 205, a educação, direito de todos e dever do Estado, será promovida e incentivada visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação profissional. Todavia, no que tange à educação digital, peça fulcral na sociedade tecnológica, há uma enorme carência. Tal fato é alarmante, visto que os aparatos digitais estão, cada vez mais, inseridos no cotidiano. Nessa perspectiva, faz-se mister um olhar mais atento para os jovens, que por estarem em um estágio de desenvolvimento profissional e pessoal, são muitos suscetíveis à dependência digital. Essa dependência deve-se, principalmente, a maneira como a sociedade relaciona aparência e existência, e tem como consequência o afastamento da realidade.

Mormente, vale ressaltar que o modo como os indivíduos concebem a existencia mediante a aparência está diretamente relacionado com a dependência digital. Segundo o escritor “Guy Debord”, na obra “Sociedade do Espetáculo, as relações pessoais ocorrem por meio do uso de imagens, desde campanhas publicitárias até o próprio desenvolvimento da identidade. Nessa conjuntura, as mídias sociais, como Facebook e Instagram, possibilitam, através do uso do uso de imagens, vídeos e até a linguagem de “emojis”, a exposição de personalidades idealizadas, que se destacam do senso comum. Desse modo, a população, em especial os jovens, utiliza-se dos meios digitais como ferramenta de rápida ascenção social. Consequentemente, uma vez que esse tipo de ascenção seria árduo sem os meios digitais, há um uso compulsivo dessas ferramentas.

Ademais, em decorrência da imersão digital, há um risco de distanciamento do mundo real. Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, na obra “Cegueira Moral”, na sociedade hodierna há uma indiferença ao sofrimento alheio, os indivíduos estão voltados para a formação de identidades privadas e não para demandas da coletividade. Dessa maneira, a imersão digital e, por conseguinte, a diminuição das relações de contato do dia a dia, faz com que o sentimento de empatia com o outro se perca. Nesse cenário, o atentado terrorista, que ocorreu na Nova Zelândia em 2019, transmitido ao vivo nas redes sociais do atirador, ilustra a sobreposição do mundo digital ao real.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Logo, o Ministério da Educação, por meio de parcerias com os meios de comunicação, deve promover campanhas publicitárias e palestras, a fim de esclarecer a população sobre os riscos da dependência digital. Essas campanhas e palestras devem ocorrer nas escolas, na TV e nas mídias sociais, no intuito de alcançar o maior número de pessoas e faixas etárias. Se assim feito, o direito a educação será efetivado.