Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 06/01/2021

Historicamente os seres humanos sempre foram dependentes de invenções que tornam a sua vida mais prática, a roda, a agricultura e as armas são alguns exemplos, nos dias atuais, smartphones, tablets e computadores são as ferramentas mais usadas, sobretudo pelos jovens. No entanto, aqueles que as utilizam de forma irresponsável, tornando-se viciados, apresentam alterações significativas em seus comportamentos. Sendo assim, a dependência digital prejudica principalmente os adolescentes e as crianças, na medida que degrada as habilidades de interação social e desenvolve distúrbios mentais.

Em primeira análise, no documentário do Netflix “Privacidade Hackeada” é revelado por ex-funcionários das grandes empresas do Vale do Silício como as redes sociais são projetadas para viciar os usuários. Desse modo, é possível traçar semelhanças com a indústria tabagista do século XX, na contemporaneidade o Instagram e o Facebook substituíram o Marlboro e o Lucky Strike, as consequências não são mais visíveis na sáude física e sim na mental. Então, percebe-se que o crescimento de 115% nos atendimentos por depressão na faixa etária de 15 a 29 anos registrado pelo SUS nos últimos 3 anos tem relação direta com a dependência digita.

Sob outra ótica, a obra “A Sociedade do Cansaço” do filósofo moderno Byung-Chul Han aborda perfeitamente o cerne da questão. Logo, de acordo com o autor não vivemos mais na “Sociedade Disciplinar” descrita por Foucault, e sim em uma “Sociedade do Desempenho”. Nesse modelo, o excesso de liberdade e a cultura do hiperconsumismo atrelados ao acesso ininterrupto as redes sociais gera seres deprimidos e fracassados por não conseguirem atingir as metas sobre-humanas impostas sobre eles.

Em síntese, a causa da dependência digital é o próprio design dos aparelhos eletrônicos e seus aplicativos, dessa forma, a consequência é a formação de uma geração de fracassados e deprimidos, com as mais altas taxas de depressão afligindo os jovens brasileiros. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, como orgão responsável por zelar pelo bem estar da população, desenvolver e aplicar medidas que restrinjam o acesso ininterrupto de menores de idade à internet, com objetivo de impedir que o uso se torne vício e prejudique a sanidade mental dos cidadãos. Ademais, é necessário o engajamento de todas as esferas da sociedade brasileira para que os distúrbios mentais causados pela exposição indiscriminada à rede não se tornem o mal do século.