Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 06/01/2021

Na obra “Ser e Tempo”, de Martin Heidegger, o filósofo argumentava que a tecnologia poderia retirar do homem a capacidade reflexiva, procriando indivíduos improdutivos. Nesse sentido, a dependência digital adquire aspectos de causa e efeito - principalmente negativos-, os quais dificultam o desenvolvimento de jovens na contemporaneidade. Assim, torna-se crucial apontar que a precariedade no lazer e a estrutura familiar transifiguram-se em adversidades descritas por Heidegger.

Em primeiro plano, a ausência de locais focados para o desenvolvimento social no país, isto é, o lazer, corrobora para que ocorra a substituição de uma vida empírica para a realidade virtual, o que intensifica a dependência digital. A Constituição de 1988 assegura a plenitude do direito a práticas sociais. Contudo, verifica-se que a disponibilidade de parques, por exemplo, que daria auxílio a sociabilidade, é escassa em características voltadas à segurança e infraestrutura e, diante dessa falta de locais que facilitem o aprimoramento social - como a comunicação -, grande parte dos jovens recorrem ao meio digital para adquirirem uma vida social, o que acarreta em uma realidade virtual, a qual exclui o ambiente físico, criando a tendência de vício em redes. Desse modo, a internet torna-se um meio de fuga do corpo coletivo, que não oferece condições suficientes para efetuar o compartilhamento social.

Ademais, a instituição familiar possui o dever assistencialista à ampliação emocional. Todavia, a desestruturação desse meio reproduz inseguranças à compatibilidade de vida para jovens, o que reforça a utilização exacerbada do meio virtual para reprimir contratempos familiares, ocasionando uma vida social digitalizada, a qual nega relacionamentos físicos - como diálogos. Essa nefasto ambiente pode ser verificado na influência cibercultural - termo acunhado pelo filósofo Pierry Levy, onde o pensador demonstra que o “digital” tornou-se meio de facilitação do acesso à sociedade, oferecendo elevada oferta social no que tange à escolhas de comunicação e vivência. Dessa forma, esse obstáculo familiar - que intensifica a dependência digital - poderia ter sua resolução, por exemplo, a partir de programas sociais direcionados à psicologia familiar.

Portanto, medidas devem ser tomadas, a fim de mitigar as grávidas ocasionadas pela dependência digital. Primeiramente, o Ministério da Economia, juntamente à Ongs, por intermédio de tributos e doações, efetuem apresentações e atendimento psicológicos para dependentes do meio digital e famílias, ofertando soluções educativas - como o ensino digital, o qual garanta o comportamento ético em redes e o crescimento social, além de ofertar cursos gratuitos para o combate a negatividade digital-, com intuito de resguardar a qualidade de vida e reduzir o vício em redes e suas causas prejudiciais. Logo, com essas ações, a sociedade irá distanciar dos obstáculos descritos por Heidegger.