Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 13/01/2021
O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No Meio do Caminho” a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que com o avanço das novas tecnologias os jovens começam a ter o risco de dependência digital e isso pode configurar-se em um obstáculo para muitas famílias e jovens brasileiros. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do tema.
Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao assunto. Em relação a isso, o termo “Ausente Contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos sociais, como é o caso da dependência digital dos jovens na atualidade. A título de exemplificação, nota-se que o governo não toma medidas de prevenção a questão e nem oferece aulas de educação digital nas escolas, e isso revela a falta de interesse do Estado em tratar o assunto como um problema de saúde pública. Tal descaso reflete na falta de convívio social e em transtornos mentais nos jovens, já que, segundo o G1.com, pessoas que passam mais tempo online do que realizando vínculos sociais são mais propensas a desenvolver depressão.
Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia de Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como o vício da juventude em vídeo games e redes sociais. Dessa forma, é evidente que a problemática, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual deve ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como distúrbios mentais, afastamento da família e amigos, problemas na escola e alienações tornem-se esquecidos das prioridades a serem solucionada no país.
Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o desenvolvimento do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Educação - responsável pelas políticas de ensino no país -, por meio de verbas sendo destinadas ao assunto, incluir na grade comum curricular de escolas e universidades, aulas e palestras sobre educação digital, com psicológos, psiquiatras e sociólogos, com a finalidade de que seja uma prevenção e também uma identificação de pessoas com o imbróglio. Outrossim, a mídia, mediante reportagens e notícias, deve exibir as causas e consequências do vício em tecnologia entre os jovens em rádios, televisão e internet. Logo, a população ficará informada da questão e seus impactos na vida dos amigos e familiares.