Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 11/01/2021
O advento da internet trouxe consigo diversos avanços, principalmente, no campo da comunicação e da informação. Entretanto, as mudanças causadas por essa revolução midiática podem ser prejudiciais a crianças e a adolescentes que não utilizam a rede com prudência, dessa maneira expondo-se à manipulação de dados, ao ódio disseminado nas redes e afastando-se do meio social, através da substituição dos encontros presenciais. Um exemplo das consequências de tais efeitos é demonstrado na série Black Mirror, que critica os avanços tecnológicos contemporâneos desacompanhados de resoluções sociopolíticas.
De acordo com o livro “O cérebro adolescente”, a infância e a adolescência são os períodos nos quais mais deve se atentar aos padrões benéficos à formação do indivíduo. Tendo isso em vista, a alta disponibilidade de ferramentas tecnológicas pode ser prejudicial, uma vez que o cérebro desses indivíduos está mais suscetível aos vícios, que atingem o sistema neurológico. Além de exposto ao cyberbullying e a outros campos de ódio da internet, o jovem tem as interações presenciais reduzidas, o que de acordo com a Pesquisa do Toque da Universidade de Miami, é um risco à saúde, já que o contato com o outro aumenta o nível de células essenciais ao funcionamento do corpo humano. Ademais, por possuir efeitos individualistas e mercantilistas, a rede possui alta capacidade de manipulação dos jovens, grupo etário de maior risco devido à formação intelectual incompleta e aos altos níveis de utilização dessa ferramenta por eles. De acordo com o filósofo Jugen Habermas, o efeito fragmentado da internet objetiva perfil pessoal dos usuários, o que influencia na formação de uma sociedade alienada e individualista.
Em suma, é importante que haja diferenciação entre as características da era digital que devem ou não ser aproveitadas, para que seja possível retificar a problemática abordada pela série Black Mirror. Portanto, através da escola, do Ministério da Tecnologia e da sociedade como um todo, deve-se criar ferramentas que fomentem apenas os benefícios de tal era. Para isso, através de monitorias oferecidas pelo Ministério em um modelo híbrido, presencial e remoto às redes públicas e privadas de educação, seriam criados modelos conscientes de autorregulação aos estudantes que transitam entre o meio virtual e físico no ensino. Além disso, é dever do poder executivo criar uma lei que fiscalize, por meio da própria tecnologia, menores de idade que passam mais de quatro horas em frente à tela, a fim de mitigar os problemas de tal prática. Dessa forma, seria possível associar os avanços da internet ao dia a dia do jovem em uma sociedade mais responsável.