Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 11/01/2021
“O pior dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa francesa Simone de Bouvouir pode ser facilmente relacionada com as causas e consequências do vício digital dos jovens na contemporaneidade, uma vez que a sociedade não apresenta soluções palpáveis para modificar essa realidade. Tal realidade é fruto inegável dos moldes capitalistas que visam apenas o lucro que a conduta de dependência pode oferecer. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar esse quadro, podem-se destacar o senso comum e a postura dos meios midiáticos.
Em primeira análise, é importante reconhecer que o tecido social notadamente capitalista, somado ao senso comum, agrava a sujeição do jovem ao meio cibernético. Esse panorama é decorrente do imaginário coletivo simplório que não reconhece passar horas do dia conectado à internet um comportamento prejudicial à saúde mental. Tal enunciado está em paralelo com o pensamento do sociólogo alemão Emilie Durkheim que, ao cunhar o termo “fato social”, demonstrou que os valores de determinado grupo tornam aceitáveis comportamentos nocivos, e assim, explicam a cristalização da dependência virtual, ainda que seus impactos sejam obviamente danosos e evidentes.
Além disso, é importante observar que a postura dos veículos de comunicação, aliada aos moldes capitalistas, solidifica o vício na internet. Irrefutavelmente, isso acontece porque em sociedades notadamente capitalistas a função da mídia de massa não é informar a população, mas difundir discursos ideológicos travestidos de valores, tais como a ideia de que a dependência cibernética não é uma prioridade a ser resolvida. Dessa atividade resulta maior lucratividade de empresas que investem propagandas no “cyberspace”, visto que os jovens passam mais tempo conectados, devido ao vício. Esse pensamento encontra-se em paralelo ao que afirmou o jornalista Caco Barcellos, para quem “a culpa não é de quem não sabe, é de quem não sabe”, uma vez que se a mídia não mostra a problemática que gira em torno desse fato, o corpo social não terá embasamento para tal.
Diante do exposto, é importante perceber que o vício virtual têm origem no avanço capitalista na sociedade. Portanto, para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem as consequências da dependência na internet com o objetivo de dar habilidade ao jovem de compreender a problemática em torno desse fato. Ademais, é necessário que o Governo Federal, por meio de um decreto, crie regulamentos que obriguem canais abertos a abordarem as questões de sujeição do jovem no meio virtual, com finalidade de ajudar a comunidade urbana a reduzir o índice de indivíduos conectados por longos períodos.