Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 19/03/2021
“Evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas” é uma das célebres frases do pai da realidade virtual, Jaron Lanier, em que aborda o lado negativo das redes sociais e da dependência digital. Sob essa mesma óptica, a tecnologia tem trazido diversos paradoxos ao mundo juvenil, como melhorias, diversão e facilidades, mas também “doenças digitais” e dependência, o que pode acarretar em diversos problemas psíquicos para o futuro de gerações que crescem com a modernidade.
Nessa perspectiva, a dependência eletrônica em jovens já vem impactando países em todo o mundo, como na Singapura, onde o número de pacientes internados em clínicas de reabilitação para viciados em celular cresce em um ritmo alarmante no decorrer dos anos, o que se pode comparar, analogamente, à droga de Jaron Lanier. O jovem, que tem o córtex pré-frontal pouco desenvolvido, está vulnerável ao excesso de uso das redes sociais por não possuir um senso crítico completamente formado, sendo o consumismo e a distorção da percepção da realidade consequências da manipulação tecnológica. Visto isso, as “doenças digitais” estão diretamente ligadas aos vícios contemporâneos, como a nomofobia e FOMO (Fear Of Missing Out, que significa Medo de Ficar de Fora), o que poderá, futuramente, ser um problema de saúde pública caso o problema não seja solucionado com a eficácia estatal.
Ademais, atualmente, o uso de aparelhos e redes sociais entre jovens tem sido matriz de doenças psíquicas, como ansiedade e depressão. Apesar do século XXI ser o “século da comunicação”, o jovem moderno vive cada vez mais isolado socialmente, vislumbrado com o consumo, gozo e artificialidade do agora, como aponta o sociólogo Bauman no livro “Modernidade Líquida”. Além do mais, o vício em celulares, computadores e videogames, por exemplo, pode destruir a concentração do usuário, o que pode levar estudantes e trabalhadores diminuírem seu desempenho em suas respectivas funções. Nessa perspectiva, futuras gerações estarão menos capazes de exercer atividades comparadas com as passadas, o que pode acarretar no desacelero da economia e problemas sociais.
Em síntese, cabe ao Ministério da Educação, atrelado ao Ministério da Saúde, instruir instituições de ensino, como universidades e escolas, a organizarem palestras para os alunos com o auxílio de psicólogos e influenciadores digitais, com o objetivo de desconstruir a excessiva dependência tecnológica entre os jovens modernos e influenciar a procura de outros prazeres da vida. Outrossim, é dever das redes sociais divulgar informações e induzir a formação do senso crítico em seus usuários com a recomendação de livros, por exemplo, com o fito de conscientizar os navegadores (que são jovens, em sua maioria). Dessa maneira, Jaron Lanier pode mudar sua opinião sobre as redes sociais.