Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 12/01/2021
Segundo a historiadora Marilena Chauí, os animais são seres naturais e os humanos, culturais. Nesse contexto, a afirmação dela corrobora a ideia de que as pessoas são reflexos inegáveis do ambiente em que vivem, e que a cultura direciona as escolhas e a conduta de cada um. Assim, essa análise pode ser aplicada na questão da dependência digital dos jovens na contemporaneidade, já que esse problema persiste devido à passividade da população em relação à utilização de tecnologia de forma descriminada. Dessa forma, esse uso desenfreado ocorre por causa da incitação ao consumo e gera consequências à saúde dos indivíduos viciados.
Antes de tudo, o consumo desmedido de produtos eletrônicos atua como catalizador na formação desse vício. Nesse sentido, de acordo com o escritor José Saramago, o que ocorre atualmente é a morte do cidadão para dar lugar ao cliente. Dessarte, a perspectiva dele cria uma reflexão acerca do prevalecimento de interesses financeiros por parte das empresas em detrimento dos consumidores, uma vez que essas corporações criam estratégias publicitárias agressivas que estimulam os jovens a gastar o máximo possível com produtos digitais. Desse modo, os jovens são estimulados a consumir de forma predatória, sem pensar nos impactos que isso pode trazer na vida deles, como, por exemplo, o desenvolvimento de dependência.
Ademais, a higidez e a socialização desses sujeitos são fortemente afetadas com esse essas práticas. Nessa perspectiva, de acordo com a OMS, saúde é o completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças. Destarte, a compulsão virtual impacta negativamente a vida dos indivíduos viciados, dado que eles permanecem longos períodos utilizando aparelhos eletrônicos, e os outros aspectos das vidas deles são deixados de lado. Com efeito, a dependência digital acaba com a produtividade e a vida social desses jovens, visto que o vício consome grande parte do tempo deles, além da possibilidade de desencadear o surgimento de transtornos neles.
Portanto, faz-se necessário confrontar a passividade em relação a esses casos. Assim sendo, o Governo Federal, com apoio de fiscais, de psicólogos e das escolas, deve, por meio de verbas públicas, criar um projeto para combater o vício tecnológico na juventude. Dessa maneira, esse plano atuaria na fiscalização de propagandas que possam incitar de forma pejorativa o consumo desses jovens e na criação de palestras gratuitas em todo o país. Sob esse viés, esses eventos ocorreriam nas escolas e contariam com a presença de psicólogos que orientem os responsáveis e os educandos acerca da importância de usar os meios digitais de forma responsável, sem exageros e alternando com atividades produtivas. Em suma, a partir dessas ações, esse problema começaria a ser superado na nação.